Saudades do que não existiu

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O São Paulo já tem um atacante veloz, driblador e que atua pelos lados, como Muricy tanto pediu. Mas não foi o suficiente para ganhar do Corinthians. Centurión, que estava tímido, triste, calado, sem amigos e perdido em São Paulo, como disse Muricy antes da partida, e que, por isso, quase não foi escalado, foi o mais descontraído, alegre e melhor jogador do Tricolor. Já vi muitos atletas com esse perfil. O Corinthians lembra-me o Boca Juniors, dirigido pelo papa-títulos da Libertadores Carlos Bianchi, que, uns dez anos atrás, formava também duas rígidas linhas de quatro, sem espaços entre elas, e ganhava nos contra-ataques. Diziam que os brasileiros não conseguiam furar a retranca argentina. Essa postura é comum, desde a Copa de 1966, quando a Inglaterra foi campeã. Agora, virou modernidade. Muricy e as viúvas de Kaká lamentam até hoje a saída do jogador, por sua liderança e dedicação, mas reconhecem que ele não foi brilhante. São os novos parâmetros. Jogador bom, agora, não é mais o que desmorona uma defesa com dribles, nem o que dá passes decisivos e faz muitos gols. As novas referências são liderança, dedicação, intensidade de jogo, velocidade, dinamismo, várias estatísticas, além de outras, que são importantes, mas se tornaram lugares-comuns e que, muitas vezes, estão distantes dos fatos atuais. As estatísticas são essenciais, desde que acompanhadas de rigor crítico e dentro de um contexto. O São Paulo, desde antes de Muricy, não tem aproveitado bem os bons jogadores. Maicon é a bola da vez. Ele não é especial, mas é muito superior a Wesley, que faz parte do numeroso grupo de atletas razoáveis, supervalorizados por serem velozes e dinâmicos. Os técnicos adoram esse tipo de jogador, mesmo se não tiverem talento. Pior, eles ganham como craques e se sentem craques. Danilo é o exemplo oposto. Tem pouca velocidade, mas muita técnica e criatividade. Não é por acaso que faz tantos gols decisivos. No clássico paulista, Muricy colocou Ganso no segundo tempo, de segundo volante. Após a partida, lamentou que ele não tivesse dinamismo para a função e que, apesar de insistir tanto, não tenha característica, nem goste, como meia ofensivo, de entrar na área e de fazer gols. Essa novela já dura um ano e meio, sem sair do lugar, sem data para acabar e com a participação dos torcedores e da imprensa. Também faço parte dessa novela. Pela milésima vez, digo que, se Ganso tivesse tido outra formação, seria hoje tão bom quanto Fábregas, como meio-campista, mistura de volante e de meia. Tenho saudades de um Ganso que nunca existiu. Hoje, veremos um jogo com muita técnica, entre Chelsea e PSG, equipes com estratégias parecidas às do Corinthians, mas com muito mais qualidade individual. Mourinho tem utilizado Fábregas como segundo volante ou como meia de ligação, saindo Oscar. Nas duas funções, Fábregas brilha e é o líder de passes para gols no Campeonato Inglês.

Clássico O clássico mostrou, a não ser para os que levantam a bola para aumentar a audiência, que Cruzeiro e Atlético estão em maus momentos. Mas houve coisas boas, como o gol de Damião, mistura de técnica e de raça. Assim como o Cruzeiro não pode depender de um único jogador para fazer gols, não pode também ser refém de um único armador para criar, como esperam de Arrascaeta. Os três meias têm que ser cobrados para entrar na área, marcar e também armar jogadas. O Galo, por ter vários titulares ausentes, que são muito melhores que os reservas, tem chance de evoluir bastante. Já o Cruzeiro não tem mais ninguém para estrear. A esperança é que os jogadores cresçam individualmente.

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