Sobre Antonio Anastasia

iG Minas Gerais |

Ao ver o nome do professor Anastasia na lista incompleta do petrolão, passado o susto, tive certeza, mais que nunca, de que fazer política no Brasil, nestes tempos, é atentar o diabo “nas profundas dos infernos”. Posso até estar enganado, mesmo porque sou homem de boa-fé, mas posso dizer, sem modéstia, que conheço política... Penso assim: Anastasia não sabe fazer política e também não sabe ser desonesto. Mas, primeiramente, vou falar de Aécio, amigo e mentor político do senador. A opinião é minha, que isso fique claro. Aécio não fez um bom governo em Minas e, por isso, perdeu a eleição para a Presidência no Estado que governou. Magalhães Pinto, governador que sabia das coisas, já falava: “Em Minas Gerais, ninguém ganha eleições sem o apoio do funcionalismo público, principalmente do magistério”. E nesse aspecto Aécio Neves foi um péssimo governador. O tal do “choque de gestão” funcionou como choque elétrico... espantou e prejudicou todo mundo. Quem foi o autor do tal choque? E a Cidade Administrativa? Está aí como o túmulo de Ramsés II... E o gasto com propaganda? Tudo isso foi debitado na conta do hoje senador Anastasia, que, ainda assim, venceu as eleições para senador de Minas Gerais. Mérito próprio. Aécio entrou na política mineira por causa de Tancredo Neves e, por isso, preferiu o sobrenome do avô em vez de adotar o Cunha do pai. E isso não pegou bem para as tradições mineiras. Aécio pai era um político querido e pessoa de caráter sem jaça. Como explicar a candidatura de Antonio Anastasia a senador? Se desejava continuar na vida pública, seu lugar adequado seria o Supremo Tribunal Federal (STF). Ao deixar o governo do Estado, para ser candidato a senador, ficou a impressão de que Aécio titubeava, pois, se tivesse certeza de sua eleição para presidente, certamente Anastasia não precisaria de mandato popular: seria seu ministro forte, como foi aqui seu principal secretário. E, terminada sua gestão como presidente, mandaria o professor para o Supremo Tribunal Federal. Soltaria o “peixe na água...” Mas não, Aécio Neves, que é um boa praça, esqueceu-se de Minas, e agora o professor vai pagar uma conta que, se existe, não é dele. Essa coisa de dizer que política e futebol não têm lógica é conclusão falsa. O próprio mundo, a nossa vida, por que estamos aqui, para onde vamos, tudo isso tem uma lógica, apenas nós ainda não a entendemos. Soubéssemos de tudo, saberíamos as respostas para essas e para todas as demais indagações que constituem os mistérios da vida. E seríamos deuses de nós mesmos... Penso, contando o tempo como os índios, que muitas luas passarão antes que possamos saber quem é quem nesse escândalo do petrolão, que, pelo andar da carruagem, ainda terá nomes incluídos ou retirados dessa malfadada lista de pessoas desqualificadas. E na relação dos retirados eu espero ver o nome de Antonio Anastasia, homem culto e probo, que, como no ditado sertanejo, “não é cebola para estar nessa réstia”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave