Prefeito de Muriaé emprega seis familiares dele e do vice

O vice-prefeito João Franca Ciribelli de Carvalho também foi “contemplado” e tem sua esposa, Ana Lúcia Dutra Rodrigues Carvalho, como secretária de Turismo

iG Minas Gerais |

A máxima do “comem cordial”, linha de pensamento estudada e descrita pelo sociólogo Sérgio Buarque, permanece em voga na política mineira. É o caso da Prefeitura de Muriaé, na Zona da Mata mineira, onde o prefeito Aloysio Navarro de Aquino (PSDB) nomeou nada menos que seis familiares, entre irmã, prima, cunhadas e concunhado dele ou do vice, como secretários municipais e diretores na administração.

Maria Cristina Navarro de Aquino Ribeiro, irmã do prefeito, é formada em biologia e comanda a Secretaria de Educação de Muriaé. Já uma prima do prefeito, Cláudia Schueler de Aquino Sigiliano, é a secretária de Desenvolvimento Social. Casada com o irmão do chefe do Executivo, a empresária Juliana Maria Guarino Lopes de Aquino foi encarregada da Secretaria de Meio Ambiente. Outra cunhada do prefeito também ganhou espaço na administração familiar. Daniela de Mattos Pereira Guarçoni é pedagoga, irmã da mulher de Aloysio Navarro e comanda a Secretaria de Administração. Seu marido, Rodrigo Lopes Guarçoni, concunhado do prefeito, também não ficou de fora, sendo nomeado como diretor do Departamento Municipal de Saneamento Urbano.

O vice-prefeito João Franca Ciribelli de Carvalho também foi “contemplado” e tem sua esposa, Ana Lúcia Dutra Rodrigues Carvalho, como secretária de Turismo.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o salário de um secretário de Muriaé gira em torno de R$ 10 mil. Em nota, o prefeito afirmou que a nomeação dos secretários teve como critério a “competência profissional e sua relação de confiança com o chefe do Executivo”.

A Súmula 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou a prática de nepotismo inconstitucional. No entanto, decisões recentes da Corte têm apontado que a nomeação para cargos eminentemente políticos, como é o caso de secretários, não é abarcada pelo texto.

Protesto? Interlocutores ligados ao PT vêm se manifestando contra os arrochos feitos pelo governo Dilma Rousseff e criticam a estratégia adotada pelo governo para pressionar o Congresso a aprovar a Lei Orçamentária Anual (LOA). De acordo com uma fonte ouvida pelo Aparte, o atraso em bolsas de educação, Fies e até mesmo a dificuldade em pagar contas nas universidades federais (vide comunicado divulgado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na última semana) seriam parte da tática governista para acelerar a votação. Com a medida passando pelos parlamentares, o governo teria mais facilidade para ajustar as contas públicas. O próprio partido da presidente, no entanto, acha que a tática mais atrapalha que ajuda o governo.

Mais informação O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu ampliar, a partir do ano que vem, o relatório “Justiça em Números”, que dá uma noção geral do funcionamento dos tribunais brasileiros. A ideia é incluir indicadores sobre conciliação, tempo médio de tramitação dos processos nos tribunais e sobre a quantidade de processos suspensos devido aos institutos da repercussão geral e dos recursos repetitivos. A mudança pode contribuir, principalmente, para a mensuração do maior problema do Judiciário, em avaliação hegemônica no país: a morosidade processual. No caso da conciliação, acabaria com uma incoerência: o CNJ incentiva a conciliação para reduzir o sufocamento do Judiciário, mas até hoje não tem dados efetivos sobre sua utilização.

FOTO: Gabriela Korossy/CÂmara dos Deputados Integrantes da Força Sindical

Contra o leão. Integrantes da Força Sindical protestaram ontem no gramado do Congresso Nacional. Eles seguravam bandeiras e alguns se vestiram de leão para protestar contra a proposta do governo de reajustar a tabela do Imposto de Renda em apenas 4,5%, o que, na prática, aumenta o número de pessoas que pagam impostos. Fábio Oliveira segurava uma placa com o escrito “de mordida em mordida vou devorando o seu salário”.

62 DEPUTADOS estiveram presentes à CPI da Petrobras, incluindo membros titulares, suplentes e parlamentares que não compõem o colegiado

Visitador. Apontado como “bombeiro”, após entrar em cena para salvar a relação entre governo e Congresso, comandado por seu partido, o vice-presidente da República negou a alcunha. “Neste momento eu sou um ‘visitador’ do Renan. Estou fazendo esse inter-relacionamento com muita tranquilidade”, disse.

PV contra o impeachment Embora tenha se alinhado aos partidos de oposição no segundo turno da eleição presidencial e tenha postura crítica em relação à presidente Dilma Rousseff, o PV se manifestou nesta terça contra um pedido de impeachment. “O PV lamenta e reconhece o desencanto social com os políticos em geral, no entanto entendemos que a saída para a crise política não é o impedimento da presidente democraticamente eleita. É necessário um processo pacífico e transparente, que assegure os valores da democracia pela qual tanto lutamos, apurando e punindo corruptores e corrompidos”, diz a nota.

Parlamentarismo Embora seja contra o impedimento da presidente, o PV acha que é hora de voltar a discutir o modelo político existente no país. “Essa crise política que o país atravessa pode ser uma oportunidade para debater uma solução mais profunda. Defendemos que seja feita nova consulta popular. Vamos debater a adoção do parlamentarismo, por meio do qual Executivo e Parlamento podem ter os seus quatro anos de mandatos normalmente se forem bons, porém devem ser substituídos democraticamente a qualquer momento se falharem gravemente nas suas tarefas. É o que o parlamentarismo permite”, diz o partido.

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