Mais usuários, só com expansão

Especialistas ouvidos por O TEMPO defendem que sistema tenha mais linhas e atenda novas regiões

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Limitação. Melhora no sistema é pequena em relação à necessidade de usuários, dizem pesquisadores
Moisés Silva
Limitação. Melhora no sistema é pequena em relação à necessidade de usuários, dizem pesquisadores

Para que possa realmente contribuir com a melhoria da mobilidade urbana em Belo Horizonte, o Move ainda precisa corrigir falhas e crescer para outras regiões da cidade. A avaliação é de especialistas em transportes públicos e trânsito, que reconhecem os benefícios trazidos pelo sistema BRT, mas apontam a necessidade de ajustes. Na quarta e última reportagem sobre o aniversário de um ano do Move, O TEMPO foi em busca de opiniões sobre como o mais novo sistema de transporte da capital pode crescer e, assim, conseguir atrair cada vez mais usuários.

Entre professores e pesquisadores de transportes e trânsito, é praticamente unânime a opinião de que o sistema BRT representa um avanço para as cidades. No entanto, além de os corredores, sozinhos, não conseguirem resolver todos os problemas, eles também precisam ter grande abrangência para possibilitar que moradores de todas as regiões possam usufruir do modal. “O ponto principal é o sistema se expandir para outras regiões. Hoje, na capital, ele atende somente Norte, Venda Nova e Pampulha. Alguém que deseja ir à região Oeste, por exemplo, não consegue usar o sistema Move na sua plenitude, usando os corredores segregados. E isso é um limitador”, avalia o professor Guilherme Leiva, coordenador do curso de engenharia de transportes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Leiva avalia positivamente o projeto do Move e acredita que o sistema tende a melhorar quando estiver todo implementado. “O Move tem potencial de crescimento. É um sistema a evoluir”, diz. As melhorias nas possibilidades de acessos, para atrair mais usuários, também são defendidas por Alícia Fernandino, professora de arquitetura e urbanismo do Uni-BH. “O Move precisa pegar mais pontos da cidade e ter maior quantidade de linhas e de ônibus. Em alguns horários do dia, a espera (dos passageiros) ainda é grande”, pondera a especialista. Houve melhora no sistema, segundo o professor do departamento de Engenharia de Tráfego da Fumec Márcio Aguiar, mas ela ainda é pequena em relação à necessidade dos usuários. Ele ressalta que, quando o Move sai do corredor exclusivo e entra nas faixas comuns, encontra os mesmos problemas que os ônibus convencionais. “A falta de precisão e confiabilidade acontece exatamente quando o Move está no meio do trânsito. Isso é um problema que não se resolveu, e as pessoas continuam preferindo usar o carro”, afirma. De acordo com os especialistas, avenidas como Amazonas, Tereza Cristina, Andradas, Raja Gabaglia, Prudente de Morais e até o próprio Anel Rodoviário poderiam receber pistas exclusivas. “Mas seria um Move ‘light’. Você implementa uma faixa e impede que os outros veículos entrem, mas continua havendo problemas, já que a faixa está à direita e tem a entrada e a saída de prédios e o comércio”, avalia Aguiar. Próximas etapas. Embora a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) considere que a implantação do Move tenha sido completa em agosto de 2014, a autarquia reconhece a necessidade de ajustes e alega que já trabalha na expansão do sistema. Segundo Daniel Marx, diretor de Transporte Público da empresa, há dois grandes planos de ampliação – para a avenida Amazonas e para o corredor Pedro II, após a construção da estação de integração São José, no bairro Jardim Montanhês, na região Noroeste da capital. De acordo com Marx, parte dos recursos que vão viabilizar os projetos tem origem em financiamentos do governo federal. “Isso já tinha sido autorizado há seis meses, e agora estamos trabalhando nos detalhamentos do projeto executivo para poder fazer as implantações”, explicou. A BHTrans informou que a expectativa é que os dois projetos estejam prontos até o fim do próximo ano. No entanto, ainda não há datas previstas para o início das intervenções nem para o começo da operação dos novos corredores e das estações da capital.

Balanço Passageiros. O sistema público na capital ganhou 50 mil usuários por dia, desde julho – o número subiu de 1,42 milhão para 1,47 milhão. Parte em função do Move, segundo a BHTrans.

Saiba mais sobre os projetos de expansão Amazonas. Segundo a BHTrans, a proposta do Expresso Amazonas prevê faixas exclusivas para transporte coletivo e terminal de integração para atender as regiões Oeste e Barreiro. O projeto terá financiamento federal, de R$ 141,5 milhões. Segundo a Sudecap, a obra está em fase de preparo de documentos e plano de trabalho, e o contrato será assinado no segundo semestre. Outros. A estação de integração São José tem projetos executivos em fase final de elaboração, e o edital de licitação deve ser publicado neste semestre. O valor do investimento não foi informado. O Move no Anel Rodoviário depende de obras de recuperação da via, diz a BHTrans.

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