O governo, os políticos e o trem da agonia representado pelo petrolão

iG Minas Gerais |

DUKE
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A fase 1 do petrolão chegou ao Supremo Tribunal Federal, e, com ela, 47 políticos serão investigados. A divulgação oficial dos nomes dos envolvidos com a corrupção na Petrobras não gerou grandes surpresas no mundo político, e sim um imenso desconforto. Todos os apontados já estão politicamente afetados, e tal sombra os acompanhará até o resultado final da apuração. Os efeitos da liberação dos nomes já são sentidos. Incluídos na lista, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, atacam a Procuradoria Geral da República e o governo. Os demais reclamam e protestam inocência, uma vez que o espernear ainda é permitido. Em consequência, não apenas a CPI da Petrobras, mas também o andamento de matérias de interesse do ajuste fiscal, entre outras, podem ser afetados pelos humores da liderança da Câmara e do Senado. O agravamento do conflito entre o Executivo e o Congresso pode favorecer uma avaliação da crise de forma dicotômica (Palácio x Congresso): quem ganha e quem perde? Na atual etapa do petrolão, nenhum dos lados está aliviado. Todos perdem. Do lado do Executivo, não existe a garantia de que o governo será poupado nas fases subsequentes à investigação. Nem de que o Congresso dará uma trégua na demonstração de independência e autonomia em outras questões em debate, desistindo de atrapalhar os planos do Executivo. Haverá forte pressão por parte de outros parlamentares, da imprensa e da sociedade para que os que integram a lista deixem os cargos que ocupam na estrutura interna do Congresso ou se licenciem. Para piorar, estão a caminho novas etapas do petrolão. Nesta semana, prosseguem as delações e, com elas, o adensamento de indícios e de provas de corrupção e o provável surgimento de mais nomes de políticos. O que, evidentemente, provoca mais tensão sobre o mundo político. Alguns comentaristas avaliam que a extensão do problema poderia favorecer a formação de uma “pizza” generalizada. Mesmo que alguns nomes venham a ser poupados por falta de evidências, é difícil crer num “acordão” destinado a salvar a cara de todos. Governo e políticos são passageiros do mesmo trem da agonia em que estão metidos. E nenhum deles controla o maquinista nem o trajeto. Tanto a mídia quanto os atores judiciais do petrolão tratarão de manter a fornalha bem acesa e quente. Com vazamentos cirúrgicos de informações aqui e ali. No caso do governo, a situação é ainda mais desconfortável, pois, além do constrangimento com o escândalo, precisa convencer aliados a apoiarem um duro ajuste fiscal. Não é fácil, considerando o time que toca a coordenação política. O Brasil de 2015 tende a andar de lado até que os efeitos desse ajuste sejam sentidos e os limites do petrolão estejam demarcados. Nenhum deles parece que vai acontecer no curtíssimo prazo. O ambiente na CPI da Petrobras deve ficar ainda mais tenso. Deputados e senadores podem ser convocados a depor, e as investigações podem atingir diversos partidos, causando uma batalha pelo controle sobre o rumo das investigações. Para o PSDB, um grande constrangimento. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) não só consta da lista, como o pedido de inquérito contra ele já foi autorizado. Ainda que não haja nenhuma ligação jurídica do processo que ele enfrenta com o senador tucano Aécio Neves, é impossível desconhecer a ligação política entre ambos.

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