SUS vai tratar o transtorno bipolar

Cinco medicamentos estarão disponíveis para quem tem problema de alteração de humor

iG Minas Gerais | Luísa Loes Especial para O Tempo |

Nem todo portador de transtorno bipolar aceita o diagnóstico
Johanna Ljungblom / mstockxpert
Nem todo portador de transtorno bipolar aceita o diagnóstico

O Ministério da Saúde anunciou ontem a incorporação de cinco medicamentos no tratamento de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) via Sistema Único de Saúde (SUS).

Clozapina, lamotrigina, olanzapina, quetiapina e risperidona são remédios que já são usados para outros fins na rede pública, mas que deverão estar disponíveis também para esse tipo de doença. A expectativa é de que em 2015 cerca de 270 mil pessoas sejam beneficiadas com o tratamento.

O transtorno bipolar configura-se por alterações profundas de humor que se manifestam em episódios depressivos alternados com períodos de euforia intensa.

Atualmente, segundo estimativas do Ministério da Saúde, a forma mais séria da doença atinge 2 milhões de brasileiros.

Busca pela cura. “Quem é bipolar não conhece equilíbrio nem meio termo, ou está muito feliz ou está muito pra baixo”, afirma Ana C., 21 anos. Diagnosticada aos 10 anos como portadora do transtorno, ela diz se lembrar de que, na época, cada dia era “uma caixinha de surpresas”. “Eu não sabia como ia acordar. Tinha dias que eu ficava muito tagarela, eufórica mesmo, muito brincalhona. Depois, estava muito deprimida e na escola não queria conversar com ninguém; qualquer coisinha que uma pessoa me falasse me deixava extremamente triste e mau humorada”, relembra.

Preconceito. Ana C revelou ainda que seu irmão mais velho também tem o transtorno e, apesar de consciente da sua situação, recusa o tratamento. “Ele acredita que doenças mentais são frescuras inventadas por pessoas que não têm mais o que fazer. Se ele aceitasse se tratar, a vida com certeza seria bem mais fácil tanto pra ele quanto para nós”, afirma Ana.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave