Um registro da arte como um remédio para todos os males

Documentário “O Homem Roxo” leva Fernando Fiuza para a tela do Teatro 2 do CCBB na noite de hoje

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |


Filme traz processo artístico de Fiuza e depoimentos de amigos
Carabina Filmes
Filme traz processo artístico de Fiuza e depoimentos de amigos

Apesar de não conhecê-lo anteriormente, Carlos Canela acabou se tornando amigo de Fernando Fiuza durante as filmagens de “O Homem Roxo”, documentário sobre o artista plástico que ele codirigiu ao lado do cartunista Duke. O filme ficou pronto numa sexta-feira, em 29 de outubro de 2009. “Liguei para o Nando, falei ‘o DVD tá pronto, vou passar aí amanhã para você assistir’. Na manhã seguinte, ele faleceu. Fiquei muito triste e nunca vi o filme de novo”, conta Canela.

O diretor vai ter a chance de conferir seu trabalho pela primeira vez em cinco anos nesta quarta, a partir das 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil. “O Homem Roxo” vai ser exibido no Teatro 2 como parte da exposição “Mulheres, O Traço Poético de Fernando Fiuza”, que faz um apanhado da obra do artista plástico. A sessão será precedida por um comentário dos dois diretores.

Segundo Canela, a ideia do documentário partiu de Duke, que trabalhou com Fiuza por anos em O TEMPO. “Ele ouvia essas histórias da vida de Nando e queria contar isso num filme. Gravou algumas imagens e trouxe para a gente ver, e eu me apaixonei na hora”, explica o diretor.

Eles aprovaram o projeto como um curta na Lei Municipal de Incentivo à Cultura, mas acabaram realizando um longa devido ao vasto material da obra e vida de Fiuza, além dos vários amigos que queriam prestar seu depoimento no filme.

“Juarez Moreira me ligou e falou: ‘Eu quero participar’”, revela Canela. Além dele, “O Homem Roxo” conta ainda com nomes como Toninho Horta e Nelson Ayres, deixando clara a proximidade com o universo musical de Fiuza, que produziu mais de 200 capas de discos.

O outro aspecto que marcou a vida do artista e que o documentário não ignora é a doença azul, sério e raro problema cardíaco, que o acometeu desde a infância até os 56 anos de idade, quando faleceu. “Trabalhamos em cima da arte e da visão de mundo dele, mas quando gravamos, Nando estava tendo uma das várias crises. Então fomos com ele ao hospital, na casa, deitado, não dava para planejar muito”, explica.

E o que Canela afirma ter descoberto nesse processo é que a arte e a doença de Fiuza sempre andaram muito próximas. “A arte era como se fosse um remédio. O que dava força de vida para ele era o processo de criação. A gente gravou ele pintando um quadro quando estava meio ruim e, na hora em que começa a trabalhar, é outra pessoa. Não existe doença”, considera. 

Agenda

O que. “O Homem Roxo”

Quando. Nesta quarta, às 19h

Onde. CCBB (Praça da Liberdade, 450, Funcionários)

Quanto. Entrada gratuita

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave