Criando pontes de diálogo

Mostra de Cinema e Direitos Humanos na PUC São Gabriel promove encontro entre universidade e comunidade local

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Periferia. 
“A Vizinhança do Tigre”, que discute a violência no cotidiano de jovens, foi premiado na Mostra de Tiradentes e no Forumdoc
Forumdoc
Periferia. “A Vizinhança do Tigre”, que discute a violência no cotidiano de jovens, foi premiado na Mostra de Tiradentes e no Forumdoc

Depois de estrear em Belo Horizonte no segundo semestre do ano passado, no Centro Cultural Banco do Brasil, a 9ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos está partindo agora para a segunda fase do projeto. Dos vários filmes programados, cinco foram escolhidos para a criação do kit “Democratizando”, enviado para exibição em mil pontos de cultura em todo o país.

Um dos locais que se inscreveu e recebeu o kit foi a PUC São Gabriel, que começa amanhã a sua miniedição da MCDH. A mostra terá início às 19h com a exibição de “Que Bom te Ver Viva” e segue até o próximo dia 25 com a exibição dos cinco filmes selecionados, seguidos de debate.

“O objetivo desse kit é levar a mostra a lugares onde o cinema e esse tipo de discussão não chegam. E a região Nordeste, aqui onde a PUC São Gabriel fica, não tem muito acesso à cultura porque fica tudo muito concentrado na Savassi, na praça da Liberdade”, justifica Elisa Rezende, coordenadora de extensão da unidade. Segundo ela, colocar ensino, pesquisa e extensão em prática é condição sine qua non da universidade e acontece o tempo todo, mas a promoção social e cultural do seu entorno também é uma preocupação e uma obrigação da instituição.

“A ideia da presença da universidade aqui também envolve o crescimento sociocultural da região, já que ela tem condições de promover o encontro de diversos atores sociais para uma discussão rica”, propõe. E é exatamente esse encontro que vai ser o diferencial da edição da MCDH na PUC, já que a universidade vai promover, a partir das questões levantadas pelos filmes, um debate entre o universo acadêmico, a comunidade local e os próprios projetos de extensão da instituição.

Para a sessão de “Rio Cigano”, por exemplo, na segunda-feira, dia 23, foi convidada a comunidade cigana Guiemos Kalóns, que vive no bairro São Gabriel há 30 anos. “É importante a universidade se aproximar dos povos tradicionais em busca de respostas para os desafios que encontramos hoje”, analisa Rezende. O debate vai contar ainda com a presença de professores que pesquisam o universo cigano, e a questão de gênero para tratar da posição da mulher nessas comunidades.

Já o curta “Sophia”, no dia 16 de março, vai ser acompanhado de áudio-descrição para portadores de necessidades especiais. O filme, sobre uma mãe tentando entender como a filha deficiente auditiva percebe o mundo, vai ser debatido com a presença do grupo Svoa, formado por alunos e ex-alunos da PUC, que começou como uma pesquisa de mestrado, tornou-se um projeto de extensão e hoje produz legendas e áudio-descrição para peças audiovisuais e está começando a trabalhar com museus.

A sessão de “A Vizinhança do Tigre”, sobre os desafios de jovens da periferia envolvendo drogas e violência, no dia 25, vai contar com a equipe do filme e do projeto de extensão Articulando Redes e Fortalecendo Comunidades. “Ele trabalha com moradores dos bairros São Gabriel, Lajedo e Vila Cemig, que enfrentam muitos problemas sociais e de infraestrutura similares aos mostrados no filme”, comenta a coordenadora.

O clássico “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho, vai ter duas sessões. Uma especial, no dia 24 de março, às 14h, para o público dos projetos PUC Mais Idade e Clicar na Terceira Idade, promovidos pela universidade. “A professora e historiadora Carla Ferretti vai debater e fazer essa ponte entre historia e a questão dos idosos, que é tocada no filme por meio da protagonista Elizabete”, explica Rezende. A outra sessão será em 19 de março.

E por fim, a exibição amanhã de “Que Bom Te Ver Viva”, que discute a tortura, vai contar com três debatedores: o frei Oswaldo Rezende Júnior, um dos personagens de “Batismo de Sangue” que foi torturado na ditadura; a doutoranda Paloma Coelho, que pesquisa a mulher no cinema e vai discutir um filme sobre uma mulher feito por uma; e a professora Lucia Lamounier, que defendeu sua tese sobre o sistema prisional. “Ela vai trazer essa questão importante de que a tortura permanece, ainda que não política”, provoca.

Programe-se

9ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos Quando. De 12 a 25/3

Onde. PUC São Gabriel – rua Walter Ianni, 255, São Gabriel Programação completa. www.mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br.

Entrada gratuita

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