Loucos por carro

iG Minas Gerais |

Clauz Jardim/Divulgação
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Não é nenhuma novidade que o brasileiro nutre pelo automóvel um sentimento único, que reúne emoção, nostalgia e paixão ao mesmo tempo. Como motociclista de fim de semana, confesso que a minha preferência é reunir um grupo – em média composto por meia dúzia de pares – e sair por aí. Longe dos centros urbanos e procurando rodar nas estradas que circundam cidades próximas a Belo Horizonte, em um passeio que termina, com a volta para casa, ao cair da tarde. Mas, como nem sempre isso é possível, quando não tenho essa oportunidade dou umas voltas, aos domingos cedo, por uma Belo Horizonte com muito menos de 50% de seu habitual e conturbado trânsito. E foi em uma dessas andanças que surgiu a ideia de usar este nosso espaço semanal para dividir com os amigos leitores algumas observações acerca desta umbilical ligação entre o homem e a máquina, nesse caso, representada pelos carros. Durante o Carnaval, na impossibilidade de jornadas mais longas, me aventurei na cidade e foi subindo a avenida Afonso Pena e, no cruzamento com a avenida Bandeirantes, me deparei com uma carreata de veículos indo em direção ao parque das Mangabeiras. Coladinhos uns nos outros, bem devagar, simulando, mesmo, um desfile. Pintura brilhando de tão encerados que estavam os bólidos, e, naquela longa fila, que devia ter mais de uns 30 carros, reparei um detalhe que me chamou e muito a atenção. Todos eles eram com suspensão rebaixada, quase encostando no asfalto, de tão baixos. Estavam se dirigindo ao estacionamento do parque para a reunião mensal do encontro dos carros rebaixados. Ali todos rezam na mesma cartilha, fãs do tuning, compartilham gostos semelhantes, buscam e trocam informações sobre o passatempo que curtem. E, claro, se orgulham de mostrar a “obra-prima sobre rodas”. Uma semana depois, na mesma região, uns dez Puntos reluzentes estavam expostos na avenida Agulhas Negras. Desta vez era a turma do Clube do Punto que se encontrava para dividir opiniões e confraternizar. Passei a ficar mais atento, e, a cada semana, uma nova tribo lá estava sempre ao lado de seus carros, em um programa dominical sadio e que ajuda a manter a memória do veículo que de uma ou de outra forma tem significado para a vida daquelas pessoas. Como nos conta Clauz Jardim, 35, proprietário de um modelo Toyota Corolla há seis anos e um entusiasta da marca japonesa: “Sou participante ativo de grupos e comunidades do Corolla pela internet e, após perceber um grande número desse modelo circulando em Belo Horizonte e ver que também não havia um grupo local, montei, há cinco meses, o grupo do Clube do Corolla. Fazemos encontros mensais e nesse último domingo, dia 8, fizemos nosso quinto encontro. Aos poucos vamos crescendo em Belo Horizonte. Hoje temos aproximadamente 70 membros locais e um grupo no Facebook (www.facebook.com/groups/ClubedoCorolla) com mais de 1.350 proprietários admiradores do modelo”. explica Clauz. A história automobilística brasileira está sendo preservada graças a uma legião de apaixonados por veículos antigos ou fora de linha. São os integrantes de clubes de automóveis, verdadeiras confrarias que têm como objetivos preservar a memória dos carros, auxiliar na restauração e reposição de peças e organizar eventos como os passeios e encontros. Esse é um tema que ainda dará o que falar aqui na coluna.

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