Presos queimam colchões para reclamar de superlotação no Ceresp Betim

Detentos reclamam da quantidade de presos na unidade, acima da capacidade do presídio; Seds afirma que situação foi controlada

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Os detentos do Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, queimaram colchões e ameaçaram quebrar as grades das celas na tarde desta terça-feira (10), como forma de protesto contra a superlotação e as condições precárias da unidade. Eles querem que o diretor da unidade os receba para uma reunião.

“O movimento começou ontem (nessa segunda) à noite. Colocamos fogo nos colchões porque o diretor do presídio não nos dá atenção”, disse um preso que conversou com a a reportagem de O TEMPO. Segundo ele, até as 14h30, os detentos estavam sem café da manhã e sem almoço.

“Cada cela tem capacidade para seis presos. Hoje, somos em 21. Temos três minutos de água de manhã e dez à noite. Não dá tempo nem para tomar banho nem lavar roupa. E os presos só tem uma muda de roupa, uma camisa e uma bermuda. Quando não seca, ficam pelados. Não temos água. O cheiro é muito ruim, o vaso fica cheio de fezes porque não tem água. Não dá para viver assim”, disse o detento.

Segundo o preso, a disponibilidade de água para os presos já era restrita antes do racionamento. O problema da superlotação, segundo ele, piorou depois que a unidade foi transformada em centro de remanejamento.

“Há seis camas em cada cela, que cabem dois presos em cada. O restante dorme no chão. Não dá para viver assim”, denuncia.

Resposta

Segundo a Seds, agentes de segurança do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Betim, controlaram o fogo colocado em pedaços de colchão e atirados ao  pátio da unidade na tarde desta terça-feira. “A situação teve início por volta das 13h30 e foi resolvida aproximadamente em 30 minutos. O Comando de Operações Especiais (Cope) da Subsecretaria de Administração Prisional foi acionado para realizar buscas nas celas”, diz a nota. Ainda segundo a Seds, a direção da unidade irá instaurar um Procedimento Interno para apurar o ocorrido.

 

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