No Senado, Anastasia diz ser vítima de 'infâmia de grandes proporções'

Em seu primeiro pronunciamento, o senador mineiro se defendeu e recebeu apoio de lideranças de seu partido

iG Minas Gerais | Da redação |

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O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) subiu à tribuna do Senado, nesta terça-feira (10), para o seu primeiro pronunciamento. Citado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, na lista da operação Lava Jato, Anastasia utilizou o palanque para se defender.

Ele deu o título de "A Grande Indignação" para o seu discurso e falou de seu currículo acadêmico e também de sua vida política. E classificou o seu atual momento como "uma infâmia de grandes proporções, de forma cruel e covarde", disse.

Após o seu pronunciamento, Anastasia recebeu o apoio de lideranças de seu partido, como Aécio Neves e José Serra. Ele também foi elogiado pela senadora Ana Amélia (PP-RS), que lembrou que seu partido também está no meio das investigações de Janot.

Leia o pronunciamento de Anastasia na íntegra

"Confesso que não imaginava ocupar a tribuna, em 1º pronunciamento, para um discurso como o que farei, que intitularia “A Grande Indignação”.

No curso de minha vida pública, fiz incontáveis pronunciamentos. Nenhum se reveste de maior importância do que o que faço neste momento.

Agora defendo aquilo que tenho de mais precioso em trinta anos de vida pública: minha honra e minha história.

Todos me conhecem em Minas Gerais.

Sabem de minhas origens, de minha dedicação aos estudos, da vida profissional de empenho e trabalho, e da simplicidade de minha rotina.

Na formação acadêmica, tive a sorte de ter tido mestres com a mesma dedicação, que só me estimularam, ainda mais, a seguir esta trilha.

Neste período, exerci muitos cargos relevantes e de alta responsabilidade. Convivi com milhares de pessoas.

E jamais tive questionada minha retidão ética, minha probidade.

Neste longo período, não amealhei patrimônio material significativo, o que tenho é plenamente compatível com meus rendimentos.

Nunca me arrependi. Fiz uma escolha.

Poderia ter exercido a advocacia, talvez com sucesso profissional e financeiro. Mas, a vocação pelo serviço público sempre falou mais alto.

Jamais havia questionado esta minha escolha pela vida pública.

Mas, em janeiro deste ano, é lançada contra mim uma infâmia de grandes proporções, de forma cruel e covarde.

Passei a refletir, profundamente:  vale mesmo a pena a vida pública?

A despeito do imenso sofrimento ao qual estou submetido, ao mais absoluto sentimento de injustiça, ainda assim, concluo afirmativamente.

A vida pública vale a pena e os desafios tem de ser enfrentados.

Os homens de bem, honestos, probos e corretos não podem se acovardar perante agressões injustas e desleais.

Como professor, sempre estimulei os alunos a seguirem as carreiras públicas.

Mas, reitero, lembrando os ensinamentos que Ruy Barbosa nos legou, que não podemos permitir que os homens de bem se afastem da vida pública.

Espero que este meu sofrimento não sirva de desestímulo para aqueles que acreditam que os homens virtuosos devam participar da vida pública.

Aquele que me envolve em toda esta situação não diz a verdade: ou mente ou se engana.

Trata-se de singular personagem: policial federal, trai a sua Instituição e se transforma em distribuidor de recursos ilícitos.

Os fatos descritos são tão falaciosos e contrários à minha notória índole que serviriam para uma boa novela de ficção.

Basta a simples leitura do que já foi disponibilizado para se verificar as contradições e incongruências: Não há identificação da tal casa, seu endereço ou seu proprietário, não se sabe a data, a hora, o meio de transporte, nada.

A identificação feita por foto é por mera semelhança...

Aquele sob delação premiada (portanto obrigado a dizer a verdade), e que seria o responsável pela tal remessa, nega meu envolvimento.

Aliás, são pessoas que não conheço, nunca estive ou falei, quer pessoalmente, quer por outro meio.

Com relação à Petrobrás, nenhuma menção quanto a mim em qualquer delação ou depoimento, lembrando que, à época, era Governador da oposição.

Espero e confio que a Justiça seja feita com a brevidade possível, para se restaurar, na plenitude, a minha trajetória e a minha honra.

Sou, fundamentalmente, um profissional do Direito que acredita na Justiça e nas Instituições.

Sobretudo, tenho a mais forte e invencível das defesas: a consciência tranquila."

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