Postos não repassam baixas

Diferença paga entre distribuidoras e compradores não está chegando ao bolso da população

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |


Pesquisa. 
Valor cobrado pelas distribuidoras caiu 0,86%, margem dos postos ficou 15,85% maior
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Pesquisa. Valor cobrado pelas distribuidoras caiu 0,86%, margem dos postos ficou 15,85% maior

O aumento dos preços dos combustíveis tem sido uma das principais reclamações sobre a atual política econômica do governo federal. Porém, no caso do etanol, na capital mineira, a própria cadeia de vendas está impedindo que o consumidor final pague mais barato. Segundo a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), o preço do litro do álcool vendido pelos usineiros caiu, nas últimas cinco semanas, de R$ 1,41 para R$ 1,28. Já a pesquisa realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que o preço médio do etanol subiu 1% entre as semanas de 8 a 14 de fevereiro e 1 a 7 de março, em Belo Horizonte.

No mesmo período, segundo a pesquisa, o valor médio cobrado pelas distribuidoras caiu 0,86% e a margem dos postos de combustíveis ficou 15,85% maior.

Para o presidente da Siamig, Mário Campos, a falta de repasse prejudica quem compra e o próprio setor. “É uma diferença de R$ 0,13 que não estamos vendo ser repassada. Precisamos que o motorista tenha um etanol mais barato para que o consumo aumente”, afirma. Ele explica que o preço do etanol caiu na usina porque a oferta está grande. “Estamos com uma oferta boa porque vamos começar em abril uma nova safra”, declara Campos.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Guimarães Júnior, por sua vez, questiona os dados da pesquisa e vê uma distorção. “Esta pesquisa pode ter usado notas fiscais antigas, o que gera uma distorção. Os postos não receberam etanol mais barato. As distribuidoras têm que responder também porque o combustível não está mais barato. Quando o preço sobe, as distribuidoras repassam o valor na velocidade de um foguete. Quando o preço cai, a velocidade é de um para-quedas e demora para chegar”, declara Guimarães. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que reúne 12 distribuidoras, afirma via assessoria de imprensa, que não comenta política de preço porque cada distribuidora tem a liberdade para definir segundo as leis da livre concorrência.

Para o consumidor final, sobra continuar pagando um etanol mais caro. Segundo o comerciante José de Castro Sobrinho, 72, é um preço melhor que falta para que ele volte a abastecer com etanol. “O álcool é melhor, menos poluente e limpa o motor, mas só abasteço quando a relação de preço com a gasolina fica vantajosa. Se o preço cair, com certeza vou optar por ele, mas hoje (ontem) estou abastecendo com gasolina”, diz.

ICMS. No próximo dia 18, o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre o etanol vai diminuir em Minas Gerais de 19% por 14% e, com isso, a tendência é de uma nova queda no preço do etanol. “Espero que chegue ao consumidor porque se a queda do valor ficar apenas na cadeia, não vamos ter o efeito esperado. Com a redução do ICMS, o preço deve cair mais R$ 0,12. Seria uma redução, somada aos R$ 0,13 que já caíram, de R$ 0,25”, declara Mário Campos.

Gasolina

Aumento. O preço médio da gasolina subiu entre 8 de fevereiro e 7 de março, 2,33%, em Belo Horizonte. Já em Minas Gerais, este aumento foi de 1,6%, segundo pesquisa da ANP.

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