Falta de verba atinge hospital

Após vários adiamentos, unidade que seria inaugurada em abril é afetada por atraso em votação

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Atrasos. 

As obras do hospital começaram em junho de 2010, e a previsão inicial era de conclusão em 2012
JOAO GODINHO /O TEMPO
Atrasos. As obras do hospital começaram em junho de 2010, e a previsão inicial era de conclusão em 2012

A falta de recursos que atinge universidades federais e outros setores provoca impacto também no Hospital Metropolitano do Barreiro, na capital, necessário para ajudar a suprir o déficit de urgência e emergência na Grande Belo Horizonte. Pelo último cronograma, a primeira fase da unidade, com 80 leitos, deveria entrar em funcionamento no próximo mês. Mas o prefeito Marcio Lacerda avisou nesta segunda que isso não será possível porque a negociação com o Ministério da Saúde depende da aprovação do Orçamento da União, que está travado no Congresso.

A informação foi dada nesta segunda durante lançamento da campanha de vacinação contra o HPV, na Escola Municipal Marconi, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul da capital. Lacerda disse que a prefeitura se reuniu na semana passada com o Ministério da Saúde para fechar os últimos detalhes da proposta de ativação do hospital, que inclui verbas federal, estadual e municipal. No entanto, a negociação só será concluída após a aprovação do Orçamento. “Embora o pronto-socorro vá estar pronto e a parte de retaguarda também, a operação do hospital a partir de abril não é mais possível”. Para custear a unidade são necessários cerca de R$ 150 milhões anuais. As obras, segundo o prefeito, estão dentro do atual cronograma, que prevê conclusão total da unidade (com mais de 400 leitos) até o fim deste ano. “Temos que ter paciência, o município não dá conta sozinho de manter um hospital que seja metropolitano. Estamos com negociações em andamento”, completou. Déficit. O Hospital Metropolitano do Barreiro irá atender uma população de mais de 300 mil habitantes. Atualmente, o déficit de leitos em Belo Horizonte para assistir à população da capital e à da região macrocentro (que contempla mais de cem municípios) é de 4.607, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. “Esse é um problema crônico da cidade. A população vive prejudicada. Moro no Barreiro e sei bem como é a situação”, disse o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Wilton Rodrigues. Sem o hospital metropolitano, a população da região e de cidades vizinhas lotam Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) ou se deslocam para outros pontos da capital. O Hospital Municipal Odilon Behrens, no bairro Lagoinha, na região Noroeste da capital, é um deles e está com todos os seus 407 leitos ocupados. Lacerda disse que, como cerca de 50% do atendimento do Odilon é com pacientes que moram fora da capital, a prefeitura também espera receber os recursos da União para custeio do serviço, mas não informou o valor.

Atrasos Prazos. As obras do hospital do Barreiro começaram em junho de 2010, e a previsão inicial era de conclusão em 2012. Após várias paralisações, os trabalhos foram retomados em outubro de 2011.

Outras pendências e falta de recursos Corte. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a maior do Estado, suspendeu temporariamente o pagamento das contas de água e de luz e fez cortes em serviços terceirizados por conta do decreto da União que determina o contingenciamento de 33% dos recursos destinados às instituições federais de educação. Medicamentos. Os hospitais federais de Minas também enfrentaram crise por conta do atraso de repasses federais no fim de 2014. Secretário municipal de Saúde da capital, Fabiano Pimenta disse que a crise que ainda atinge o Hospital das Clínicas, em BH, se deve a questões multifatoriais. “Com a alta do dólar, o mesmo elenco de remédios que comprávamos por R$ 24 milhões deve saltar para R$ 34 milhões neste ano”. Agentes. O prefeito Marcio Lacerda disse nesta segunda que o Ministério da Saúde não está enviando o recurso (cerca de R$ 1,5 milhão por mês) para cumprimento da lei federal que estabelece os pisos salariais dos agentes comunitários e dos de endemias. Segundo ele, há alguns acertos (com a União) pendentes de 2014, de vários tipos, “mas o básico da operação para serviço da prefeitura” foi colocado em dia”. 

Ministro diz que repasses estão em dia O ministro da Saúde, Arthur Chioro, garantiu que o repasse de verba para Belo Horizonte está em dia e negou qualquer crise de falta de medicamento ou vacinas no país. “Não temos problemas com compra nem recursos financeiros que impeçam a regularidade das ações”, afirmou o ministro. Segundo ele, um ou outro gestor pode ter tido problema durante processo licitatório, mas são casos pontuais. Ele negou também qualquer atraso atual para os hospitais federais ou para o Hospital Metropolitano do Barreiro.

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