BH quer fechar cerco a pichador

Prefeitura propõe ao Estado criação de equipe só para investigar crimes ambientais urbanos

iG Minas Gerais | Joana Suarez E Luciene Câmara |

Reincidência. 
Pirulito da praça Sete, no centro de Belo Horizonte, já foi pichado várias vezes
SAMUEL AGUIAR / O TEMPO
Reincidência. Pirulito da praça Sete, no centro de Belo Horizonte, já foi pichado várias vezes

Em Belo Horizonte, onde há uma média diária de dez atos de vandalismo, crimes ambientais urbanos, como pichações, depredações e descarte irregular de lixo podem passar a ser investigados em delegacia especializada. Segundo o prefeito Marcio Lacerda (PSB), o projeto que prevê a novidade, elaborado pelo Executivo municipal há três anos, foi levado nesta segunda ao governador Fernando Pimentel (PT). A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) de Minas Gerais avalia a proposta.

A expectativa do Executivo municipal é que o atual governo apoie o projeto. “A prefeitura dará a infraestrutura, com delegado, escrivão, investigadores e guardas municipais, para que se combata pichação, lixo jogado em córrego, descarte clandestino de resíduo de construção”, afirmou o prefeito.

Lacerda afirmou que o projeto contempla o uso de uma van como central de vigilância, que junto com 20 câmeras permitirá prender os vândalos em flagrante. “É preciso que os pichadores tenham sentença rápida, de trabalho comunitário pesado, como varrer escolas o ano inteiro”. De acordo com ele, há mais de 300 criminosos no cadastro da prefeitura e da polícia.

Segundo a Seds, foram registrados 3.528 crimes de danos ao patrimônio de janeiro a setembro do ano passado. Em 2014, a Superintendência de Limpeza Urbanos (SLU) removeu 96 pichações de obras de arte. Conforme José Luiz Costa, gerente do movimento Respeito por BH, criado pela prefeitura, o maior volume de pichação é contra o patrimônio particular, em que a “responsabilidade” fica “nas mãos” dos cidadãos.

“A população deve registrar o crime, para que o número de pichações seja contabilizado. No entanto, é baixo o número de pichadores punidos na lei”, disse.

Recentemente a Delegacia Virtual colocou à disposição do cidadão a possibilidade de registrar em boletim de ocorrência a pichação em propriedades particulares, anexando a foto. “Isso permitirá a contabilização de crimes com a mesma ‘tag’ (assinatura) para que as investigações policiais rastreiem os autores dos delitos”, disse Costa.

Desperdício. Somente o Executivo municipal gasta em torno de R$ 2,5 milhões anualmente para recuperar equipamentos públicos depredados.

A Secretariam Municipal de Serviços Urbanos informou que o recurso poderia construir um centro de saúde, 30 unidades habitacionais como as do Vila Viva, ampliar e reformar uma Unidade Municipal de Educação Infantil ou fazer obras de contenção de encostas. 

Câmeras

Combate. Câmeras de vigilância instaladas no hipercentro e nos principais corredores ajudam na fiscalização de atos de vandalismo. Nos bairros, o cidadão deve denunciar a ocorrência.

Saiba mais

Metrô. O prefeito Marcio Lacerda afirmou que, na primeira reunião com o governador, foram discutidos vários assuntos de interesse da cidade, entre eles o metrô. “Propus um grupo de trabalho tripartite (incluindo Ministério das Cidades) para finalizarmos projetos e processos de licitações”, contou. Ocupações. Nesta segunda Lacerda voltou a falar do cerco às ocupações, com guardas municipais e colocação de placas em terrenos da prefeitura. “Vamos leiloar lotes que foram invadidos nas décadas 60, 70 e 80 na avenida Antônio Carlos. A polícia vai cumprir reintegração em qualquer ocupação”.

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