Cronologia musical do Brasil

Em cinco episódios, “Do Vinil ao Download” perpassa por cinco décadas de intensas transformações da música no país

iG Minas Gerais | fabiano fonseca |

Convidados. 
Nomes como Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Gilberto Gil e Jorge Ben são alguns que promovem jam sessions na série
dan behr
Convidados. Nomes como Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Gilberto Gil e Jorge Ben são alguns que promovem jam sessions na série

A história de “Do Vinil ao Download”, série em cinco episódios sobre André Midani que o canal pago GNT estreia hoje, às 23h, começa com uma outra ideia de Andrucha Waddington, diretor da produção em parceira com Mini Kerti.

Há sete anos, Andrucha propôs a Midani a criação de um documentário sobre a Phono 73, festival histórico realizado pelo executivo, em 1973, reunindo o elenco da gravadora Phonogram, com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, dentre outros. No entanto, em 2008, chega as prateleiras “Música, Ídolos e Poder: Do Vinil ao Download”, biografia de Midani que caiu nas mãos de Mini Kerti.

“Li o livro e fiquei fascinada! Todo o improvável de sua vida, toda a transformação que promoveu na sua trajetória e na música me deixaram impressionada”, revela a diretora, que sabia o potencial cinematográfico que a vida de Midani demonstrava. “Liguei pro Andrucha (Waddington) e achei que ele era a pessoa para dirigir o filme. Ele gostou e sugeriu que fizéssemos em formato de documentário para a TV, com encontros com nomes da música”, explica Mini.

Ideia comprada, Andrucha, Mini e Midani foram formatando temas e encontros para relembrar histórias e memórias da vida do ex-executivo e das suas significativas contribuições para a música brasileira.

“Fizemos um encontro com o Gilberto Gil e o Cacá Diegues na casa do Midani. Criamos um piloto e fomos ao GNT, que comprou a ideia”, relembra Mini. A partir dessa gravação, a dupla da Conspiração Filmes, promoveu, durante sete meses, outros oito jantares/encontros na casa de André Midani, no Rio de Janeiro, reunindo convidados das mais diversas áreas para reviver e tocar inúmeras histórias de Midani e da música. “Tentamos organizar por assuntos, como, por exemplo, a bossa nova, e pensamos em nomes que representam o tema para participar do encontro”, conta Mini, sobre a proposta de tratar a produção em ordem cronológica, dividindo a obra em períodos históricos (veja no quadro abaixo).

Para André Midani, no entanto, a cronologia era o que menos lhe importava ao receber seus amigos em casa. “Os encontros e as conversas misturavam os temas e, na edição, é que aconteceu a divisão cronológica. Foi muito divertido, porque, nesses encontros, têm muita música. No episódio do rock, por exemplo, trem o encontro dos Titãs e dos Paralamas do Sucesso. Com Gil e Jorge Ben, também foi um encontro especial, relembrando o disco que fizeram juntos (“Gil & Jorge”, de 1975)”, adianta Midani, que elege um dos seus momentos favoritos na empreitada: “O encontro de Caetano, Gil e Jorge Ben, posso dizer que é muito emblemático para a cultura brasileira”.

Para Mini Kerti, um dos aspectos mais prazerosos da narrativa sobre a vida de André Midani e seu papel na música brasileira foi a forma como o personagem da obra leva adiante os temas e as conversas com seus convidados. Afinal, não é só de memórias bonitas que se faz uma vida profissional na indústria musical, especialmente tendo que passar sobre os anos da ditadura militar no Brasil. “Temos assuntos carregados, mas não fica um peso. O Midani tem muito humor, é irônico e não carrega as coisas. Há histórias duras da ditadura, mas que ele relembra sem dramas e com humor”, destaca.

Andrucha Waddington faz coro. “Houve a questão da ditadura e da censura, e Midani lidou com isso. O tema é tratado de forma bem-humorada. Ele deixou o Brasil em 1964, voltou em 68 e encontrou um outro país. E batalhou muito pelo seus artistas”, diz o diretor, que adianta que a série terá uma versão de 88 minutos que deve ser levada para o circuito de festivais de documentários.

Episódios

“Vinil”. Entre os anos 50 e 60, revela histórias da chegada de Midani ao país “Anos de Chumbo”. Compreende o período da ditadura militar e o surgimento da Tropicália “Era de Ouro”. Os anos 70 e as obras antológicas “BrRock”. A explosão do rock nacional dos anos 80 “Download”. A era digital versus a indústria fonográfica

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