ONU denuncia 'níveis alarmantes' de violência contra a mulher

O relatório, aponta que 35% das mulheres em todo o mundo já foram vítimas de violência física e/ou sexual de seus parceiros ou já sofreram violência sexual de não parceiros

iG Minas Gerais | Folhapress |

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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Apesar de inúmeros avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas no que diz respeito ao acesso à educação, à saúde e à participação política, a violência contra a mulher "persiste em níveis alarmantes" em todas as regiões do globo.

É o que afirma um relatório divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas), informou o "New York Times".

O documento será apresentado nesta segunda-feira (9) à Assembleia Geral da ONU pelo secretário-geral Ban Ki-moon, enquanto representantes de diversos países se reúnem para apresentar os avanços e os desafios encontrados na construção de igualdade de gênero desde uma conferência temática feita em Pequim há 20 anos.

Dentre as estimativas apresentadas no relatório, aponta-se que 35% das mulheres em todo o mundo já foram vítimas de violência física e/ou sexual de seus parceiros ou já sofreram violência sexual de não parceiros.

O estudo aponta ainda que a forma mais comum de violência sofrida pelas mulheres é a violência doméstica, a qual frequentemente provoca ferimentos e, em alguns casos, a morte da vítima.

Um estudo de 2013 feito pela ONU apontou que quase metade das mulheres assassinadas foram mortas por seus parceiros ou por parentes, enquanto para os homens o índice é de um em cada 20 vítimas de homicídio.

AVANÇOS E DESAFIOS

O relatório aponta para alguns avanços significativos verificados nos últimos 20 anos. Por exemplo, conquistou-se a igualdade de acesso à educação primária entre garotos e garotas e a taxa de mortalidade materna caiu pela metade.

Também aumentaram significativamente as oportunidades de acesso das mulheres à força de trabalho. No entanto, no ritmo atual, seriam necessários mais de 75 anos para se conquistar igualdade salarial entre homens e mulheres, aponta um estudo da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

No que se refere à participação política das mulheres, dobrou o número de parlamentares mulheres ao redor do mundo, embora elas representem apenas um em cada cinco parlamentares.

No entanto, os números de violência contra a mulher continuam "inaceitavelmente altos", aponta o relatório.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 83% das garotas com idade entre 12 e 16 anos foram vítimas de assédio em suas escolas. Em Nova Déli, um estudo de 2010 aponta que duas em cada três mulheres haviam sofrido assédio mais de duas vezes apenas no ano anterior.

"Um grande obstáculo para o fim da violência contra a mulher é a persistência de atitudes discriminatórias e de normas sociais que normalizam e permitem a violência", afirma o relatório.

Atitudes como culpar as vítimas [de violência] são comuns em todos os países", aponta o documento.

"A violência contra a mulher tem proporções epidêmicas" e o seu combate "não é uma prioridade real para a maioria dos governos", disse ao "NYT" Lydia Alpizar, diretora da Associação para os Direitos em Desenvolvimento das Mulheres.

Segundo Valerie M. Hudson, professor da Universidade A & M, no Texas, a maior parte dos países não possui leis que garantam a segurança física das mulheres. "Como um todo, olhando para o mundo, não houve grandes vitórias na erradicação da violência contra a mulher", afirmou Hudson ao "NYT".

Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da Agência das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero, disse estar "desapontada". "Mais do que pedir para que mais leis sejam aprovadas, estou pedindo pela sua implementação".

Pessoas que compareceram à conferência de Pequim em 1995 dizem que um dos principais avanços verificados nos últimos 20 anos no que se refere à violência contra a mulher é o fato de o tema hoje ser central no debate público.

"Presta-se muito mais atenção hoje sobre a violência contra a mulher", disse Charlotte Bunch, uma acadêmica presente na conferência de 1995. "Trata-se de uma questão complexa que não é solucionada facilmente".

Em discurso no domingo (8), em virtude do Dia Internacional da Mulher, Ban Ki-moon lamentou o processo "lento" no combate à desigualdade de gênero e pediu "ações globais".

"Estou pedindo a todas as mulheres: vocês devem estar à frente e no centro de nosso mundo", afirmou Ban.

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