Reserva na Davis, tenista monta projeto na Rocinha para 200 crianças

Escolinha de Tênis Fabiano de Paula foi inaugurada no dia 23 de fevereiro e teve a presença de Teliana Pereira

iG Minas Gerais | Folhapress |

Ao lado de Teliana Pereira, melhor tenista brasileira, Fabiano inaugurou escolinha
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Ao lado de Teliana Pereira, melhor tenista brasileira, Fabiano inaugurou escolinha

O carioca Fabiano de Paula, 26, foi a cara nova do Brasil no confronto contra a Argentina, pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis.

Convocado pela primeira vez, ele integrou a equipe nacional como reserva no duelo em Buenos Aires.

"Para mim, está sendo muito bom. experiência que não tem palavras para descrever", afirmou o tenista, atual número 210 do ranking mundial.

"É muito bom estar nesta atmosfera, presenciando a união do dia a dia. Geralmente, estamos sozinhos no circuito", contou.

Se conseguir a convocação foi um triunfo pessoal, embora não tenha ido à quadra jogar, a própria trajetória de vida de Fabiano é uma vitória.

Nascido e criado na Rocinha, mais famosa favela carioca, ele começou a jogar tênis depois dos 10 anos de idade. Em circunstâncias difíceis, conseguiu se manter no esporte, apesar de algumas interrupções. Mais do que isso, segundo conta, se afastou da violência e das drogas.

No dia 23 de fevereiro, ele lançou um projeto que promete ser o maior legado de sua carreira. Inaugurou, no alto da favela e ao lado de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), uma quadra de saibro onde se baseará a Escolinha de Tênis Fabiano de Paula.

"Nós vamos procurar tirar as crianças da rua, das drogas. Queremos passar educação, mostrar um futuro melhor, levar quem quiser para os EUA fazer uma faculdade ou virar professor de tênis", afirmou.

A abertura da quadra contou com as presenças de Teliana Pereira, tenista número 1 do país, e de autoridades do Rio.

Astro do tênis mundial, o espanhol Rafael Nadal, que na ocasião estava na cidade para disputar o Aberto do Rio, foi convidado mas não pôde comparecer.

A escolinha tem, por enquanto, quatro professores. O próprio Fabiano disse que dará aulas nas folgas do circuito profissional.

A ideia, no pico, é trabalhar com 200 crianças. Até o momento, já são cerca de 50 inscritas. O equipamento todo é fornecido pelo projeto. Basta às crianças se cadastrarem para ter as aulas –elas pegam o material e devolvem ao final da sessão.

"Eu tinha ideia de tocar este projeto no futuro, quando parasse de jogar. Sabe, fazer uma coisa diferente, como fizeram comigo. Mas veio antes, então vamos fazer acontecer", contou.

Até mesmo a participação na Copa Davis virou motivo de inspiração. Ele trouxe camisetas da escolinha para serem assinadas pelos tenistas brasileiros e argentinos. Depois, elas serão levadas às crianças no Rio.

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