Pelo futuro

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Tenho como prerrogativa ser ameno neste espaço semanal, em que transito entre a coluna e a crônica, mesmo porque, grande parte das outras páginas deste jornal, assim como de todos de modo geral, já é preenchida com o noticiário que nos aflige diariamente em diversos âmbitos. Melhor é exercitar outras narrativas em que o leitor possa, assim, encontrar diversidade de opções de leitura ao folhear o seu exemplar. Mas não me contenho em comentar os novos números do desmatamento na Amazônia, divulgados na semana passada, apontando que essa prática aumentou 40% entre novembro de 2014 e janeiro 2015 em relação ao mesmo trimestre anterior. O anúncio foi feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, (Inpe), com base no que apurou o Sistema de Detecção em Tempo Real, o Deter. No trimestre entre 2014 e 2015 foi contabilizada a perda de 219 km² de florestas. No mesmo período entre 2013 e 2014, os satélites captaram 156,8 km² alertas de desmatamento, o que também foi muita floresta cortada. O índice de 40% a mais em um trimestre é alarmante, e o que me preocupa é observar a notícia passar como algo corriqueiro e que se esquece rapidamente. O que parece é que o fato até chama a atenção na hora em que com ele se depara, mas daí a pouco a preocupação já é outra, e ninguém se dá conta do que estamos perdendo. A situação da Amazônia deveria nos preocupar tanto quanto ocorre agora com a escassez de água. Mesmo porque o desmatamento é uma das causas da seca. Consta que o Ibama e a Força Nacional de Segurança atuam na fiscalização, mas não se vê resultado significativo, pois os números de desmate não param de crescer. Ainda que, conforme divulga o Inpe, “os mapas de alertas do Deter são enviados diariamente ao Ibama com a localização precisa de eventos de desmatamento e degradação florestal”. Isso deveria gerar ações mais em curto prazo de combate a esses criminosos, apesar da extensão territorial e das dificuldades estruturais da fiscalização. Em um trecho do livro “Da Minha Terra à Terra”, depoimento do fotógrafo Sebastião Salgado à jornalista Isabelle Francq, ele repete um alerta que, deveríamos acreditar constar no currículo de todos durante o ensino fundamental, mas não é o que parece: “Somente as árvores são capazes de assimilar todo o gás carbônico que produzimos. A árvore é a única máquina capaz de transformar o gás carbônico em oxigênio. A floresta assimila e transforma nossa poluição em madeira. É extraordinário.” É preciso agir.

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