BRT é o sistema mais barato

Ir ao centro e voltar durante 22 dias custa R$ 136 de Move, R$ 176 de metrô e R$ 333 de carro

iG Minas Gerais | Aline Diniz / Bárbara Ferreira / Luiza Muzzi |

Gargalos e uso de linhas alimentadoras deixam trajeto cansativo, dizem usuários
Moisés Silva
Gargalos e uso de linhas alimentadoras deixam trajeto cansativo, dizem usuários

No fim do mês, andar de Move – nome dado ao BRT da capital – pode sair até 145% mais barato para o belo-horizontino. Ao usar três tipos diferentes de transporte – o sistema, carro e metrô – no mesmo percurso, entre o bairro Conjunto Paulo VI, na região Nordeste da cidade, e o centro, com o respectivo retorno, a reportagem de O TEMPO verificou que o Move foi o que teve o menor custo – R$ 6,20, já considerando o valor da linha alimentadora, o que resulta em R$ 136,40 a cada 22 dias úteis. Fazer o trajeto de carro custou R$ 15,18, R$ 333,96 por mês. O gasto mensal com metrô, que custa R$ 8 por dia, seria de R$ 176.

Mesmo com a necessidade de baldeação, os usuários do Move não tiveram o orçamento alterado. Como o sistema foi desmembrado até as estações de integração, caiu o valor das antigas linhas – as atuais alimentadoras. “O preço é o mesmo de antes. Pago R$ 3,10 e agora posso acessar outros lugares”, disse a monitora de informática Ana Bárbara de Oliveira, 24. Embora seja mais barata que o automóvel, a opção do metrô onera mais o usuário que o Move, porque não há desconto para a integração. “O trajeto (de metrô e de Move) é praticamente o mesmo. Mas, com a integração, prefiro ir de Move, que é mais barato. De metrô eu pago a alimentadora mais o bilhete integral”, avalia a auxiliar administrativa Edvânia Silveira, 27. Para estimar o custo do transporte com carro, a reportagem levou em consideração a potência do motor, que era 1.8, e o combustível usado, o álcool. A média total de consumo foi de 5 km/litro. Velocidades. De Move e de metrô, o tempo de viagem foi o mesmo – uma hora e 21 minutos. No entanto, o Move foi o que apresentou a maior média de velocidade. A diferença entre os dois meios de transporte está na distância percorrida – enquanto o Move anda 9,5 km em 22 minutos, o metrô percorreu 6,5 km em 20 minutos, uma diferença de 6 km/h. Mesmo com o ganho de tempo pela pista exclusiva, o uso de linhas alimentadoras e os gargalos no centro deixam o trajeto cansativo para boa parte dos usuários. Antes do Move, as pessoas embarcavam em um coletivo em seu bairro e seguiam direto até o centro. Hoje, é necessário trocar de veículo, demandando tempo e gerando desgaste. Além disso, ao chegarem ao centro, algumas pessoas ainda precisam terminar seus percursos a pé ou usando nova linha. É o caso da cozinheira Ana Maria Pereira Souza, 31, que usa o Move, mas precisa completar o trajeto com um ônibus até o bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul, onde trabalha. “A gente realmente ganha tempo com a faixa exclusiva. Mas no centro tem que pegar outro ônibus, e, no fim da viagem, a vantagem é pequena”.

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