Quem manda no Brasil?

iG Minas Gerais |

As manifestações programadas para ocorrerem nessa semana contra o governo Dilma darão mostras do vazio de poder provocado principalmente pela desarticulação política da presidente. Estará em avaliação a capacidade de produzir danos de certos setores de mando, num momento em que o governo assiste a uma desordem em todos os seus andares. E o quadro se agrava com o ativismo de oportunistas de momento a quem interessa debitar suas falências ou confundir, para nada se esclarecer. Como exemplo, a inclusão do nome do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no rol dos investigados pela operação “Lava Jato” foi o bastante para se promover a reação em massa do Legislativo. Cumprir a lei configurou-se um erro político. Investigar dois parlamentares amplamente citados num velho rosário de suspeitas que integram a biografia de ambos motivou as mais inesperadas resistências, como se estivesse em jogo a reputação da Madre Tereza de Calcutá. Nosso sistema político se mostra a cada dia mais incapaz de captar os melhores nomes para a construção do processo democrático; infelizmente esse é o resultado. Renan Calheiros, agora atingido e fragilizado como já esteve incontáveis vezes, cuidou de usar o poder que ainda tem como presidente do Congresso Nacional para devolver MPs enviadas pelo Planalto, como parte do esforço para se promover o tão necessário ajuste fiscal. Recebeu palmas, loas e o reconhecimento de que “agora ele estava se comportando como presidente do Congresso Nacional”. Agora. Há mais de vinte anos essas duas casas são extensões naturais do Poder Executivo, não têm identidade, não se comportam como instituições capazes de processar as diferenças que as compõem, não sabem quem – nem o que – representam, mas vão travar o país, vão impedir que se construa uma agenda econômica num momento em que só resta ao Brasil tentar melhorar a qualidade de suas opções políticas e administrativas para reconstruir sua importância e atrair investimentos. Se estamos ruins com Dilma, pior com ela ainda mais enfraquecida. Mas há um grande esforço para isso não se entender. A quem interessa essa desordem? Quem quer mandar no Brasil? ANASTASIA. A tentativa de envolvimento do senador Antonio Anastasia como beneficiário de propina paga pelo esquema da Petrobrás, sem nenhum juízo particular sobre o ex-governador, porque isso não nos cabe, é, da forma como foi conduzido, no mínimo uma irresponsabilidade. Dar crédito à afirmação do tal policial Jayme Careca, reconhecidamente um tipo de parca reputação moral, de que entregara uma mala com R$ 1 milhão a uma pessoa que não conhecia e que, tempos depois, vendo fotos de políticos eleitos, se lembrara ser o destinatário “parecido com Anastasia”, é no mínimo um esforço muito grande para se comprometer o ex-governador. Youssef disse que fez pagamentos em Minas, mas certamente não foi dessa forma. Deve haver outros 'felizardos'.

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