Tucanos vão radicalizar na CPI

Presidente do PSDB mineiro diz que essa é a melhor defesa do senador Antonio Anastasia

iG Minas Gerais |

Deputado Marcus Pestana diz que é fácil defender Anastasia
DENILTON DIAS / O TEMPO
Deputado Marcus Pestana diz que é fácil defender Anastasia

Brasília. O PSDB mineiro disse estar disposto a “radicalizar” na atuação do partido na CPI que investiga o pagamento de propina na Petrobras como resposta à decisão do procurador geral da República (PGR), Rodrigo Janot, de investigar o senador e ex-governador de Minas Antonio Anastasia (PSDB-MG) na operação Lava Jato.

“Vamos radicalizar na CPI, porque a melhor forma de defendê-lo é investigar a fundo. Estão tentando misturar Anastasia com um tipo de gente que assaltou a Petrobras e desencadeou o maior escândalo já visto neste país”, disse o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG), para quem o acusador de Anastasia é uma pessoa “desqualificada, sem credibilidade e completamente desmoralizada”.

“ Vamos provar a inocência dele com dois sopros”, completou o tucano, que disse estar disposto a sugerir à CPI que o policial seja levado a Belo Horizonte para indicar a casa onde teria realizado o pagamento.

“A riqueza de detalhes apresentada por Jayme, somada ao reconhecimento pessoal do senador, apontam para a necessidade de aprofundamento das investigações”, argumentou Janot para pedir a continuidade das investigações. Segundo a contabilidade apreendida, duas entregas que totalizam valores próximos de R$ 1 milhão teriam sido realizadas em Minas: a primeira em 9 de maio, no total de R$ 600 mil, e a segunda em 13 de junho, no valor de R$ 270,4 mil. No documento, não é feita referência a ano das entregas.

No depoimento à polícia, o ex-policial Jayme Alves, mais conhecido como Careca, afirmou ter viajado em 2010 a Belo Horizonte para entregar R$ 1 milhão a uma pessoa que não teria reconhecido no momento. Depois, “vendo os resultados eleitorais”, ele teria identificado Anastasia, eleito governador naquele ano.

Careca não soube dizer qual seria o endereço da entrega, mas afirmou se tratar de uma “casa térrea, (...) com portão que abre na horizontal” e “uma grade na frente”, “voltada para o shopping”, numa referência ao Belvedere, bairro de classe alta de Belo Horizonte.

Janot reconheceu a validade do depoimento do ex-policial, que teria entregue aproximadamente R$ 17 milhões entre 2011 e 2012 a diversas pessoas indicadas por Youssef, segundo contabilidade apreendida durante a operação Lava Jato. Anastasia nega ter recebido qualquer valor de Youssef.

Em nota divulgada sábado, Anastasia disse não conhecer, tampouco ter estado com Youssef ou Jayme, o policial que o acusa. “A abertura do inquérito servirá para demonstrar a verdade, pondo fim à infâmia inventada contra mim, sabe-se lá por qual motivo”, escreveu o senador, que também divulgou vídeo em sua defesa em redes sociais.

Propina

Partido. As investigações também apontam que o ex-presidente nacional do PSDB e ex-senador Sérgio Guerra (PE) teria recebido R$ 10 milhões, em 2010, do esquema.

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