Deflação no mundo, inflação aqui

Enquanto preços disparam no Brasil, na Europa, EUA e Japão acontece o inverso, mas não é bom

iG Minas Gerais |

Demanda. No Japão, consumo está fraco e excesso de oferta gera deflação
AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO/26.22.2014
Demanda. No Japão, consumo está fraco e excesso de oferta gera deflação

Rio de Janeiro. O Brasil está na contramão do mundo. A inflação anual de 7,7% está bem distante dos números que surgem na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e até mesmo na China. O novo temor econômico mundial é a deflação, queda média de preços. Para quem vive num país que já teve inflação de 5.000% ao ano, a notícia parece até boa, mas nem sempre é. A zona do euro fechou 2014 com deflação de 0,2%. Em 16 países da União Europeia, as taxas foram negativas. A inflação mais alta foi de 1%. O petróleo em baixa mexe com os índices de preços de todos esses países, mas o fenômeno tem razões específicas em cada lugar do planeta.

Enquanto na Europa e no Japão a queda dos preços está intimamente ligada à estagnação econômica, nos Estados Unidos é puxada pelo petróleo em baixa e pelos salários congelados por um mercado de trabalho ainda em recuperação frágil.

“ A zona do euro tem desequilíbrios muito grandes. Há o problema da Grécia, medidas draconianas de austeridade. O risco de deflação mais prolongada é real, não é só petróleo. O Japão é deflacionário por excelência, pelo encolhimento das perspectivas de consumo ao longo do tempo. É uma estagnação secular, um processo de natureza estrutural que acontece no Japão hoje”, afirma a economista Monica de Bolle, da consultoria Galanto.

Os japoneses pagaram por uma tigela de gyundon – prato nacional composto de arroz coberto por carne e cebolas – o mesmo valor nos últimos 25 anos. No Brasil, os alimentos subiram 9% nos últimos 12 meses.

Barry Bosworth, especialista em política fiscal e monetária da Brookings Institution, em Washington, vê a Europa na pior situação. “Acho que a maior ameaça é a Europa. A zona do euro será atormentada com crescimento lento e desemprego elevado nos próximos anos”, disse. Robert Khan, especialista em economia internacional do Council on Foreign Relations, em Washington, concorda: “Não acredito que eles tenham as políticas adequadas em vigor para apoiar o crescimento sustentado na região. É provável que as pressões deflacionárias se intensifiquem. É um cenário complexo, onde as ações dos BCs (bancos centrais) estão limitadas. O risco é um período prolongado de “estagflação”, no qual os preços parecem presos e a demanda permanece fraca”, completa.

Os Estados Unidos convivem com deflação há três meses seguidos. O petróleo é o principal responsável, mas Monica chama a atenção para os salários: “A geração de vagas ainda não se traduziu em aumento de salário”, explica.

Resumo da China No país asiático a situação é a seguinte: - O excesso de capacidade produtiva aumenta a disponibilidade interna - Em janeiro passado, os preços subiram apenas 0,8% comparado ao mesmo mês do ano passado - A falta de demanda global aumenta a oferta interna do país e os preços recuam

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