Campanhas irritam as mulheres

Sabrina Sato retira imagens de nu do ar do vídeo “Juntas contra vazamentos”

iG Minas Gerais | Luisa Lóes |

Mico. 
No segundo vídeo, Sabrina Sato convoca a mulher a evitar vazamentos: inversão da culpa
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Mico. No segundo vídeo, Sabrina Sato convoca a mulher a evitar vazamentos: inversão da culpa

Recentes campanhas publicitárias voltadas para o público feminino se mostraram um tiro no pé ao irritar as mulheres com peças, no mínimo, descuidadas.

A mais recente foi protagonizada pela apresentadora Sabrina Sato: “#JuntasContraVazamentos”, patrocinada por uma marca de absorvente em parceria com a ONG SaferNet. Sabrina aparece seminua em um vídeo que teria “vazado” na terça-feira, dia 3.

Gravado propositalmente em baixa qualidade para imitar o que ocorre na vida real, o vídeo mostra a apresentadora de fio dental levantando da cama. A ideia era dar a impressão de ter sido compartilhado sem consentimento. Com o título “Vazou! Sabrina Sato com amante em vídeo íntimo”, mais de 300 mil pessoas compartilharam as imagens.

No dia seguinte, Sabrina aparece em nova peça, desta vez profissional, em que alerta para o problema da pornografia de vingança – divulgação sem autorização de intimidades por parceiros.

“O vazamento de imagens íntimas e o pornô de vingança são crimes. Como em qualquer crime, a vítima nunca deve ser culpada. A campanha peca ao atribuir a responsabilidade da exposição indevida de tais conteúdos exclusivamente às mulheres e se calar a respeito do papel ativo dos homens na divulgação de tais materiais”, argumenta a cientista social Nathália Duarte.

Com o mote “Não deixe nenhum vazamento tirar o seu sono”, a campanha serve a uma dupla função: conscientizar meninas acerca do perigo da exposição indevida da intimidade e promover um absorvente. A orientação controversa e uma foto de Sabrina nua acabaram removidas da propaganda.

“Além de partir de um suposto vídeo íntimo para conclamar às mulheres a não fazerem vídeos íntimos – um paradoxo –, a campanha é infeliz ao colocar em par de igualdade a menstruação, algo natural, e o vazamento de imagens íntimas, que é um crime”, afirma a publicitária Joana Araújo, que pesquisa a representação da mulher nos meios de comunicação.

A cientista social Nathália Duarte considera ainda que a abordagem não tenha sido a mais adequada para tratar uma questão tão séria.

No mês passado, o Ministério da Justiça teve que se desculpar pela peça “Bebeu demais e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te lembrar por muito tempo”, que mostrava duas jovens segurando um celular e rindo de uma terceira. Foi criticada por estimular o bullying e culpar quem sofre, em vez de quem pratica, um abuso sexual. O ministério tirou a propaganda do ar.

Também foi controversa a peça da Skol “Esqueci o não em casa” e “Topo antes de saber a pergunta”, lançada no Carnaval. Após ser acusada nas redes sociais de incentivar a perda de controle e o desrespeito aos limites impostos pelas mulheres, a Ambev trocou os cartazes por textos como “Quando um não quer, o outro vai dançar”.

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