Radicais do EI voltam a Londres

Quase 700 recrutas teriam retornado ao Reino Unido, o que deixa o país em alerta

iG Minas Gerais |

Depois de Kimrud, no sábado foi a vez de Hatra (fotos) ser atacada. Construída no século III antes de Cristo, Hatra é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1985. Neste domingo, outra cidade milenar teria sido alvo: Khorsabad,
erguida como a nova capital do reino assírio pelo rei Sargão II em 721 a.C.
HUBERT DEBBASCH/AFP/ARQUIVO
Depois de Kimrud, no sábado foi a vez de Hatra (fotos) ser atacada. Construída no século III antes de Cristo, Hatra é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1985. Neste domingo, outra cidade milenar teria sido alvo: Khorsabad, erguida como a nova capital do reino assírio pelo rei Sargão II em 721 a.C.

Londres, Inglaterra. Quase a metade das 700 pessoas consideradas como “perigosos jihadistas” pelos serviços secretos britânicos retornou dos territórios controlados pelo grupo Estado Islâmico (EI) para o Reino Unido, afirmou neste domingo o jornal “Sunday Telegraph”.

Os números apresentados pelo jornal conservador (700 partidas e 320 retornos) excedem em muito as estimativas oficiais conhecidas (500 partidas e 250 retornos).

Esses dados teriam levado o ministério do Interior a preparar medidas para reforçar a luta contra o extremismo no Reino Unido, de acordo com o jornal.

Essa nova estratégia contra o extremismo teria como objetivo, por exemplo, mudar as regras para a obtenção de cidadania para garantir que as pessoas aceitam os “valores britânicos” ou ainda condicionar a concessão de subsídios à aprendizagem de inglês. Um porta-voz do ministério do Interior contactado pela AFP se recusou a comentar o relatório.

Uma nova lei contra o terrorismo promulgada em 12 de fevereiro já prevê uma série de medidas para lutar contra o extremismo, inclusive dando novas responsabilidades às autoridades locais, escolas e universidades na prevenção da radicalização.

Distante das imagens monstruosas de decapitação e apedrejamentos, o Estado Islâmico propõe trabalho, aventuras e até amor às recrutas ocidentais que se juntarem a seu “califado” proclamado nas áreas sob seu controle no Iraque e na Síria.

“O EI vende a utopia islamita” a homens e mulheres jovens, explica Lina Khatib, diretora do Center Carnegie Middle East, com sede em Beirute. “Faz com que eles acreditem que podem desempenhar um papel importante no único Estado Islâmico do mundo”, acrescenta.

Usando técnicas sofisticadas de recrutamento, os jihadistas atraíram centenas de ocidentais para seu “califado”, um território maior que a Jordânia e majoritariamente desértico, onde 6 milhões de pessoas vivem. O EI controla um terço dos territórios do Iraque e da Síria. Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos já conseguiu retomar cidades importantes, com Kobani, e tenta fazer o mesmo por meio de um contra-ataque envolvendo 30 mil homens em Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein dominada pelo EI.

Erro. Na Síria, apenas neste domingo, 40 combatentes curdos e jihadistas do EI foram mortos em violentos confrontos pelo controle de Tall Tamer, uma cidade no nordeste do país.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey, defendeu neste domingo que intensificar os bombardeios da coalizão contra os jihadistas seria um erro.

Dempsey defendeu uma “calma estratégica” na campanha da aviação aliada. Para ele, um aumento dos bombardeios colocaria em risco a população civil e poderia alimentar a propaganda dos extremistas sunitas.

Grupo ataca mais um sítio arqueológico Bagdá, Iraque. O governo iraquiano investiga relatos de que o sítio arqueológico de Khorsabad, no norte do país, é o mais novo alvo do Estado Islâmico. Segundo o ministro do Turismo e das Antiquidades do país, Adel Shirshab, havia temores de que os militantes estivessem neste domingo removendo artefatos e causando danos ao local, a 15 km de Mosul. Na sexta-feira, um grupo devastou a antiga cidade de Nimrud, fundada por assírios há cerca de 3.000 anos, e no sábado, eles atacaram a cidade Hatra, ambas patrimônio da humanidade da Unesco. A ONU classifica as ações como crimes de guerra.

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