O quarteto segundo o coro

Madrigale apresenta espetáculo “Come Together – Beatles in Voices”, sucesso de público, no Teatro Alterosa

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Repercussão. 
Após apresentações esgotadas em novembro do ano passado, coro traz de volta espetáculo com 18 canções dos Beatles
Marcus Neves
Repercussão. Após apresentações esgotadas em novembro do ano passado, coro traz de volta espetáculo com 18 canções dos Beatles

O segredo do sucesso dos Beatles pode ser vislumbrado nas três gerações de músicos que acompanham o coro Madrigale no concerto “Come Together – Beatles in Voices”, que eles apresentam Nesta terça e quinta, às 20h30, no Teatro Alterosa. Nos arranjos e no piano, está o veterano Hely Drummond, que foi professor de música de Arnon Oliveira, fundador e maestro do coro. O contrabaixista é Valdir Claudino, contemporâneo de Arnon e que viveu na juventude o auge da beatlemania. E a percussão está sob o comando do jovem Felipe Kneipp, que foi aluno do maestro.

Essa atemporalidade que atravessa gerações é o que faz do repertório do quarteto de Liverpool um patrimônio imortal. E o que tornou as primeiras apresentações do “Beatles in Voices”, em novembro do ano passado, um sucesso que esgotou os ingressos todas as noites – convencendo o Madrigale a trazer o espetáculo de volta.

“A reação inicial é que foi um sucesso porque é Beatles. Mas acho que não é só isso, é a curiosidade de conhecer o trabalho do coro, saber como essa mistura vai funcionar”, analisa Arnon. O maestro explica que o trabalho de um coral não consiste simplesmente em escolher uma música e cantar. Existe todo um trabalho de adaptação, especialmente delicada em um repertório tão conhecido quanto o dos Beatles.

E o transformar essas canções em uma peça para a linguagem de coro foi o grande desafio que atraiu o Madrigale a encarar a empreitada. “Quando decidimos por esse projeto no ano passado, com o objetivo de encontrar novos caminhos para o coral, partimos numa pesquisa para buscar arranjos de Beatles para coro dentro da literatura que já existia”, explica o maestro.

Em alguns casos, havia quatro arranjos diferentes para a mesma música. “A gente experimentou todos para ver qual funcionava melhor dentro do Madrigale. E quando nenhum deu certo, o Hely (Drummond) nos ajudou criando alguns arranjos totalmente novos para a apresentação”, conta Arnon. O resultado são as 18 canções do espetáculo – duas ou três pinçadas de cada um dos álbuns dos besouros.

“Nosso critério foi escolher as canções mais significativas na história deles, desde ‘Love Me Do’ até as músicas do fim dos anos 60, que marcam o início do envolvimento deles com uma musicalidade mais oriental. Não necessariamente as mais conhecidas, mas até nisso foi fácil porque praticamente todas as canções deles foram grandes sucessos”, brinca Arnon.

Esse passeio cronológico pela história do grupo foi outro desafio, segundo o maestro, já que a maioria dos cantores do Madrigale conhece Beatles, mas não viveram os anos de existência da banda. “Tivemos que fazer um apanhado histórico para criar um processo de interpretação convincente, e buscar uma maneira de contar para o público a sua visão daquela obra”, pontua o maestro.

Segundo ele, as apresentações desta terça e quinta trazem algumas diferenças no repertório em relação à estreia em novembro. “Tiramos algumas músicas, acrescentamos outras, o que funcionou, o que não funcionou, algo que fazemos sempre”, justifica.

As novidades serão bem vindas, já que muitas pessoas que conferiram o espetáculo no ano passado já compraram seu ingresso de novo – deixando as apresentações desta semana bem próximas de se esgotarem mais uma vez. Para Arnon – que já prepara com o Madrigale um novo concerto de “A Paixão de Bach” para a programação oficial da Semana Santa de Belo Horizonte no próximo dia 31 de março, além de uma reedição da “Missa Afrobrasileira” de Carlos Alberto Fonseca, que eles interpretaram pela primeira vez há dez anos – esse sucesso do “Beatles in Voices” é importante porque responde exatamente à linguagem universal que o coro buscava quando abraçou o projeto.

“Para o artista, é sempre muito bom interpretar um repertório que é tão próximo da gente, algo como Beatles que entra na história de cada um e faz parte da vida de todo mundo”, reflete.

Come Together

Quando. Nesta terça e quinta, às 20h30

Onde. Teatro Alterosa – av. Assis Chateaubriand, 499, Floresta

Quanto. R$ 30 (inteira)

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