Casal entre a arte e as ações ambientais

Lélia Wanick tem permanente atuação ao lado de Sebastião Salgado na carreira e nos projetos ecológicos

iG Minas Gerais | Júlio Assis |

Disposição. Capixaba Lélia Wanick é cidadã honorária de Aimorés
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Disposição. Capixaba Lélia Wanick é cidadã honorária de Aimorés

O entusiasmo de Sebastião Salgado em trabalhar pelos projetos do Instituto Terra, nota-se que é o mesmo na conversa telefônica com a esposa do fotógrafo, Lélia Wanick. “A ideia de criar o instituto na fazenda em Aimorés foi minha”, lembra ela, que preside a entidade e estará ao lado do marido nesta segunda em Belo Horizonte para reuniões com autoridades visando apoio ao Programa Olhos D’Água e à noite no projeto Sempre um Papo, no Sesc Palladium. “Precisamos do apoio de todo mundo, do governo, das empresas, dos cidadãos”, sintetiza.

Os números estão na ponta da língua da dirigente ambiental. “É um projeto de longo prazo, 25 a 30 anos, que deverá custar de R$ 4 a R$ 5 bilhões para recuperarmos cerca de 400 mil nascentes”, detalha.

As respostas positivas já vem aparecendo. “Para o projeto piloto contamos com apoio da Vale. Agora conseguimos ajuda da ArcelorMittal em que vamos cercar nascentes e depois plantar em torno delas. Recentemente assinamos um protocolo de intenções com o governo do Espírito Santo, pois o Estado também abriga parte do Vale do Rio Doce e esperamos encontrar a mesma boa receptividade em Belo Horizonte”, afirma. “Isso deveria replicar pelo país, pois é o caminho para que a água volte a jorrar”, recomenda.

A importância da atuação de Lélia na carreira de Salgado, ele torna mais evidente para o público em geral no livro biográfico “Da Minha Terra à Terra”. Eles se conheceram em Vitória (ES), onde ele foi estudar na juventude. Tinha 20 anos e ela, 17. “Depois que nos conhecemos, passamos a compartilhar tudo. É a grande companheira de minha vida, minha grande sócia. Em tudo. Nas ideias, nos projetos, na família, no trabalho, nas ações ambientais”, resume o fotógrafo. “Nosso encontro trouxe uma complementaridade, os talentos de um e outro se juntam”, diz ela.

Carreira. Formada em arquitetura, para ajudar na estruturação do trabalho do marido acabou se aperfeiçoando nas atividades de curadora, cenógrafa e editora. Cuida das exposições do fotógrafo e da publicação de seus livros. “A vida nos leva a certas circunstâncias que não esperamos. Nós descobrimos a fotografia juntos, depois ele se profissionalizou e eu gostava de acompanhá-lo pela oportunidade de viajar, daí passei a ajudá-lo a organizar as coisas dele e segui esse caminho”, conta.

Como curadora, foi responsável pela galeria da Agência Magnum e de um festival de fotografia na França. Esse trabalho ganhou maior proporção no projeto fotográfico “Trabalhadores”, desenvolvido por Salgado, em que ela montou uma exposição que percorreu 70 museus pelo mundo e editou o livro com tiragem de 200 mil exemplares.

Na França eles tiveram dois filhos, Juliano e Rodrigo, e Lélia comenta como se desenrolou o processo do filme “O Sal da Terra”, que concorreu ao Oscar de melhor documentário. “O Juliano nasceu na França, acompanhou o trabalho do pai diversas vezes e, como cineasta, começou a fazer umas tomadas em Aimorés em 1998, registrando a área degradada da Mata Atlântida. Ele tinha uma necessidade grande se aprofundar nessa cultura de onde vieram seus pais, entender tudo isso, e foi montando pedaços dessas coisas. Depois surgiu a ideia de um making off do projeto fotográfico ‘Gênesis’, do Sebastião. Em seguida surgiu o Win Wenders e tudo evoluiu para o filme. São dois modos de contar a história de uma pessoa que vê o mundo em variadas faces pela fotografia”, finaliza.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave