Dois civis e um soldado mortos em ataque contra campo da ONU no Mali

Campo da Minusma em Kidal foi alvo de mais de trinta disparos de foguetes neste domingo, e as forças da ONU responderam, indica um comunicado da missão

iG Minas Gerais | AFP |

Um 'capacete azul' e dois civis morreram neste domingo (8) em Kidal, no norte do Mali, em um ataque com foguetes contra o campo da Munisma, informou a missão da ONU no Mali.

"Por volta das 5h40 (2h40 no horário de Brasília) o campo da Minusma em Kidal foi alvo de mais de trinta disparos de foguetes" neste domingo, e as forças da ONU responderam, indica um comunicado da missão.

"Um soldado da Minusma morreu e oito ficaram feridos", acrescenta o texto, que evoca a morte de mais dois civis e outros quatro feridos fora do campo militar.

"Este ataque ocorre enquanto em Argel as negociações avançam para um acordo de paz", acrescenta a força da ONU.

No início de março, o governo do Mali e alguns grupos rebeldes assinaram um acordo de paz e reconciliação para acabar com a violência.

Outros rebeldes se reagruparam na Coordenação dos Movimentos de Azawad, que inclui o Movimento Nacional para a Libertação do Azawad (MNLA), e pediram um período de reflexão para decidir se vão aderir ao acordo.

"Alguns foguetes caíram em uma área a 3 km do campo da Minusma. Ao menos dois civis morreram", declarou, por sua vez, uma fonte da segurança de Kidal.

Os civis mortos eram membros da tribo Kunta, uma comunidade árabe nômade das regiões desérticas do Mali, Argélia, Mauritânia e Níger, segundo a fonte.

Pouco antes, uma autoridade de Kidal e uma fonte da Minusma havia indicado que o ataque não tinha causado vítimas.

Em Kidal, reduto da rebelião tuaregue no Mali, operam vários grupos armados, incluindo a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI).

'Vingar o profeta'

O ataque ocorre depois de um atentado no sábado contra um bar restaurante em Bamako, que matou cinco pessoas, incluindo um belga, um francês e três malineses, e que foi reivindicado pelo grupo jihadista Al-Murabitun.

Ainda não há informações sobre os autores dos disparos contra o campo da Minusma.

A Minusma, que conta com cerca de 10.000 militares e policiais no país, anunciou no sábado ter "colocado a disposição das autoridades investigadores e especialistas" para encontrar os culpados do ataque na capital.

A Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali (Minusma) foi criada em 25 de Abril de 2013, pelo Conselho de Segurança da ONU.

No final de 2014, a Minusma contava com 10.375 pessoas, das quais 8.311 soldados e 1.010 policiais, principalmente de países africanos que fazem fronteira com o Mali, incluindo Chade e Nigéria.

Em Bamako, a segurança foi reforçado, e numerosos policiais equipados com coletes à prova de balas patrulhavam as ruas, segundo um jornalista da AFP.

Uma fonte da polícia disse ter encontrado "indícios no veículo usado para transportar o autor dos crimes cometidos em Bamako", sem dar mais detalhes.

Em sau reivindicação, Al-Murabitun declarou que queria vingar o "profeta diante do ímpio Ocidente que insultou e zombou dele", referindo-se às caricaturas da revista satírica francesa Charlie Hebdo, e a morte de um de seus líderes, Ahmed al-Tilemsi, morto pelo exército francês, em dezembro, no norte.

O primeiro-ministro malinense, Modibo Keita, que visitou no sábado com o presidente Ibrahim Boubacar Keita o local do ataque, orientou os moradores a tomar precauções.

"Nós devemos permanecer vigilantes, as pessoas devem identificar atos suspeitos", disse.

Em 2012, o norte do Mali caiu sob o poder de grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda. A operação Serval, liderada pela França a partir de janeiro de 2013, conseguiu expulsar algumas dessas organizações dos territórios que haviam conquistado.

Em agosto de 2014, a operação Serval foi substituída pela Barkhane, cujo alcance se estende a toda a faixa Sahel-Saharan.

Contudo, vastos territórios do Mali ainda fogem ao controle do governo central.

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