Move atinge meta de agilidade, mas convive com falha estrutural

Sistema completa hoje um ano de operação precisando reparar danos em portas e vandalismo em painéis

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Avaliação. Para a BHTrans, depois do Move, velocidade média na Antônio Carlos mais que dobrou
JOÃO GODINHO
Avaliação. Para a BHTrans, depois do Move, velocidade média na Antônio Carlos mais que dobrou

Lançado pela prefeitura como uma das principais apostas para a melhoria da mobilidade urbana na capital, o Move completa hoje um ano de funcionamento com aprovação de boa parte dos 500 mil usuários que transporta diariamente, pelo menos no que diz respeito à agilidade das viagens. No entanto, problemas como tumultos nos embarques e estações superlotadas, com defeitos em portas e monitores, ainda persistem, exigindo atenção do Executivo. Para mostrar um pouco dessa realidade, O TEMPO inicia hoje uma série de reportagens sobre o Move da capital. Responsável pela maior mudança viária que Belo Horizonte recebeu nas últimas décadas, o sistema estreou em março de 2014 com apenas três linhas, 18 veículos e em meio a adiamentos e estações inacabadas. Atualmente, o projeto, que custou quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos, realiza 3.600 viagens diárias com uma frota superior a 400 veículos – há divergência desse número entre a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), que aponta 450 coletivos, e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH), que informa ser 428. Apesar da expansão, o sistema ainda não atingiu a meta de passageiros transportados. Conforme O TEMPO mostrou à época do lançamento, o Move da capital atenderia 700 mil usuários/dia. A BHTrans, no entanto, alega que a promessa referia-se à soma do sistema municipal com o metropolitano. Ainda assim, o projeto permanece aquém do anunciado, já que o metropolitano transporta hoje, segundo a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas, cerca de 173 mil usuários/dia. Embora não tenha alcançado a promessa, o prefeito Marcio Lacerda ressaltou, em entrevista na última quarta-feira, que a partir de uma pesquisa interna se constatou que 25 mil pessoas abandonaram seus carros para utilizar o Move na capital. “Isso é um avanço. Não era o principal objetivo, mas significa que o transporte coletivo melhorou”, disse, destacando que o trânsito ganhou maior fluidez graças à retirada de quase 800 viagens de ônibus convencionais do centro e grandes avenidas nos horários de pico. Conforme o diretor de Transporte Público da BHTrans, Daniel Marx, o ganho de velocidade na avenida Antônio Carlos para o carro, por exemplo, mais que dobrou. A média era de 7 km/h e está passando para 15 km/h e até 18 km/h. Já nos corredores exclusivos dessa avenida e da Cristiano Machado, os tempos das viagens do Move reduziram 47% e 43%, respectivamente. A desejar. Quesitos como agilidade no embarque, regularidade e pontualidade dos ônibus, informação em tempo real por meio de painéis eletrônicos e segurança, especialmente nas estações de transferência, são promessas do lançamento do Move ainda esperadas por muitos usuários. Na semana passada, Lacerda reconheceu os problemas e prometeu ajustes. O Move é alvo de investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais por possíveis irregularidades nas obras de implantação do sistema, que podem levar os envolvidos na construção a ter que ressarcir os cofres públicos. Segundo auditorias realizadas, R$ 31 milhões investidos em construção das estações de transferência e adequações viárias teriam sido gastos desnecessariamente, com superfaturamento de material e duplicidade de serviços.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave