Esquema criminoso tinha quatro núcleos para dividir propina

Procuradoria diz que PP, PT e PMDB estavam no comando

iG Minas Gerais |


Rodrigo Janot detalhou toda a estrutura montada na Petrobras
Cleiton Borges / Correio de Uber
Rodrigo Janot detalhou toda a estrutura montada na Petrobras

Brasília. O “esquema criminoso” que atuava na Petrobras, segundo a Procuradoria Geral da República, funcionava com quatro núcleos – político, administrativo, econômico e financeiro. De acordo com o procurador Rodrigo Janot, o esquema contava com a participação de integrantes de pelo menos três partidos, PP, PT e PMDB.  

Pela denúncia de Janot, os diretores da estatal pagavam a deputados para terem apoio político e permanecerem em seus cargos por muito período. A base da investigação são os depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, delatores da operação Lava Jato. Os dois atuaram na Diretoria de Abastecimento e revelaram que integrantes de partidos (núcleo político) indicavam os diretores da estatal (núcleo administrativo), que se valiam dos cargos para contratar empreiteiras previamente escolhidas em um cartel (núcleo econômico).

Os diretores pagavam mensalmente, a título de propina, aproximadamente 3% do valor dos contratos aos integrantes dos partidos que participavam do esquema, aos agentes públicos e aos operadores financeiros. Esses ficavam em média com 20% da propina paga.

O pagamento era feito diretamente pelas empreiteiras aos agentes políticos ou por meio dos operadores (núcleo financeiro). Esse esquema funcionou, segundo os colaboradores, pelo menos de 2004 a 2012.

Paulo Roberto Costa, da diretoria de Abastecimento entre 2004 e 2012, foi indicado pelo PP e, posteriormente, apoiado pelo PMDB; Renato Duque ocupou a diretoria de Serviços entre 2003 e 2012 por indicação do PT; e Nestor Cerveró, dirigia a diretoria Internacional entre 2003 e 2008, foi indicado pelo PMDB. De acordo com o procurador, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto – que também são investigados –, “atuavam no esquema criminoso na Petrobras como operadores financeiros, em nome de integrantes do PMDB e do PT”.

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