Maioria das empresas abertas tem uma mulher no comando

Desde 2012, mais de 50% dos empreendimentos com até 3,5 anos são liderados por mulheres

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |


Determinação. 
Laura Furtado lidera oficina mecânica do marido, que foi assassinado há oito anos
Uarlen Valério
Determinação. Laura Furtado lidera oficina mecânica do marido, que foi assassinado há oito anos

A necessidade é a mãe da invenção, e para muitas mulheres, a entrada para o empreendedorismo. Esta é a história de mulheres como Francisca Maria (Xica) da Silva, 50, Laura Furtado, 48, e Sônia Maria da Silva, 57, que têm em comum o fato de terem uma empresa que garante o sustento de suas famílias. Elas contribuem para uma nova realidade do mundo do empreendedorismo. As mulheres superam os homens na busca de novos negócios. Desde 2012, segundo o Sebrae-MG, a maioria dos novos empreendedores são do sexo feminino. Nos últimos três anos, o percentual se sustentou em 51% em Minas Gerais. Nacionalmente, esse índice chega a 52%. Hoje, mais da metade das empresas com até 3,5 anos de vida é dirigida por mulheres.

Outros dados apontam a presença maciça das mulheres no comando de empresas, algo raro em décadas passadas. No total de empresas do país, 40% têm, ao menos, uma sócia e, em Minas, esse índice é de 41%. Segundo dados de fevereiro de 2015 do Sebrae-MG, dos 515 mil microempreendedores individuais do Estado, 66,7% são mulheres. “Acompanhamos uma mudança no comportamento feminino. Elas estão mais seguras e batalham por suas ideias”, avalia Fabiana Pinho, gerente de educação, empreendedorismo e cooperativismo do Sebrae-MG.

“Toda minha renda vem do bufê ‘Amigos da Xica’, que existe desde 2007. Com ele, sustento minha casa e minhas três filhas”, conta Xica da Silva. O empreendedorismo entrou em sua vida após 10 anos de cárcere privado mantido pelo ex-marido, e mais de 20 pontos distribuídos pelo corpo em função da violência doméstica. “Depois de nove denúncias, fui encaminhada a um abrigo de mulheres e lá começamos com uma grupo de geração de renda”, relata. Hoje, Xica tem um bufê com um cadastro de cerca de 35 pessoas que prestam serviço para ela. “Entre os nossos parceiros, 75% são mulheres acima de 40 anos”, diz.

A determinação feminina fica clara na fala da proprietária da oficina mecânica Segmento, Laura Furtado. “Perdi meu marido numa quinta-feira, e na segunda-feira tinha 19 carros para entregar”, afirma. Laura ficou viúva há oito anos, e desde então lidera a oficina herdada do marido, que foi morto por um assaltante na frente dela. Neste período em que Laura está à frente, a oficina teve mais de 40% de crescimento de seu faturamento. “Hoje, 80% dos clientes são mulheres. Quando assumi a empresa tínhamos 1.800 clientes, hoje são 2.600”, diz a empresária.

Mesmo casada, é a empresa de marmitex de Sônia Maria da Silva que sustenta sua família. A mulher chefiar a casa é uma realidade cada vez mais comum no Brasil. Na capital mineira, em 2013, segundo o IBGE, o número de mulheres chefes de família já era de 43%. Nacionalmente esse índice é de 38,8%. Em 2000, elas comandavam 24,9% dos domicílios brasileiros.

“Quando meu marido perdeu o emprego precisava fazer alguma coisa para garantir nosso sustento. Mas queria fazer a coisa direito e busquei me capacitar sobre planejamento, formação de preço, alimentação e fui me aprimorando. Hoje atendo duas empresas com contrato mensal e algumas entregas avulsas”, conta Sônia.

Associação é voltada para as chefes de família Existe um espaço em Belo Horizonte voltado para ajudar mulheres chefes de família. É a Associação das Mães Chefes de Família do Estado de Minas Gerais (Assmig) que fica no bairro São Bernardo. “Temos um convênio com o Tribunal de Justiça e mantemos um juizado de reconciliação. Lá são tratados temas como pensão alimentícia e reconhecimento de paternidade”, conta Lúcia Helena de Melo Batista, presidente da Assmig. Na associação também é possível se matricular em cursos de capacitação profissional e empreendedorismo, com foco em economia solidária, segundo Lúcia. Para arrecadar fundos, a Assmig realiza semanalmente um forró na Escola Municipal Hilda Rabello.

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