Governo pode até trocar racionamento por apagão em 2015

ONS e Aneel vêm fazendo estudos sobre esta possibilidade

iG Minas Gerais |

Crise, 
Com estiagem, hidrelétricas brasileiras não suprem a demanda nacional por energia
Elza Fiúza/Agência brasil/4.2.2015
Crise, Com estiagem, hidrelétricas brasileiras não suprem a demanda nacional por energia

BRASÍLIA. O governo avalia reduzir os critérios de segurança do setor elétrico para garantir o abastecimento no país neste ano. A medida aumentaria a quantidade de energia que pode ser transferida de uma região para outra. Por outro lado, elevaria a vulnerabilidade do setor a raios e incêndios, que podem originar apagões.  

Os estudos serão feitos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), segundo confirmou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, à Agência Estado. “Pedimos um estudo para avaliar os custos e os benefícios dessa medida para, então, tomarmos uma decisão”, afirmou o ministro Braga.

A redução dos critérios de segurança do sistema de transmissão teria como objetivo abastecer a região Sudeste, que possui o maior consumo do país, e seria aplicada entre agosto e setembro, caso as chuvas nos próximos dois meses sejam insuficientes para garantir o suprimento ao longo do ano.

Especialistas consideram que a operação tem um risco muito elevado. “Estamos trocando um risco de racionamento por um risco de apagão”, disse um especialista que preferiu não se identificar. “É como dirigir um carro sem estepe. Uma hora outro pneu pode furar e te deixar na mão”, comparou outro.

Critério internacional Desde 1999, o sistema de transmissão brasileiro segue um critério internacional de segurança, conhecido como “N-1”. Isso significa que sempre existe uma linha reserva, à disposição do ONS, caso uma outra linha paralela deixe de funcionar. Essa operação limita a quantidade de energia que pode ser transferida, mas eleva a confiabilidade do sistema.

O melhor exemplo é o linhão Norte-Sul, composto por três linhas paralelas que atravessam os Estados de Goiás, Tocantins e Maranhão. Atualmente, o linhão tem uma capacidade de transmissão limitada a 5.100 megawatts (MW). Nessa configuração, duas linhas transferem energia do Norte e Nordeste ao Sudeste, enquanto uma fica de “back-up”. Caso um raio atinja uma delas, a terceira automaticamente entra em operação, sem que haja um apagão.

Na nova configuração em estudo, o governo usaria todas as três linhas para enviar energia à região Sudeste, sem nenhuma linha de reserva. Ainda não há uma estimativa fechada sobre o volume adicional que poderia ser transferido nesse cenário. Na teoria, seria possível enviar 2.500 MW a mais, caso os transformadores das subestações tenham equipamentos adequados para fazer a conversão.

Consumo

Retração. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, projeta que o consumo de energia apresentará uma retração de 5% em 2015, o que ajudaria a aliviar a pressão sobre o sistema.

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