'Nem todas estão dispostas a renunciar'

Hildete Pereira Autora do livro ‘Pioneiras da Ciência no Brasil’

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Qual a sua avaliação do papel feminino na ciência ao longo da história e hoje?  

A sociedade não percebe nenhum papel das mulheres no meio científico, há uma invisibilidade. Pensa-se sempre que a ciência é um produto masculino, mas, quando começamos a remexer os arquivos, percebemos que as mulheres sempre participaram desse processo, embora sempre como coadjuvantes. É preciso começar a levantar esse véu.

Quais são os principais desafios enfrentados por elas?

O primeiro, está ligado às dificuldades na educação. A questão mais complicada é a da conciliação da vida doméstica e da maternidade com a ciência, que exige uma dedicação imensa e elas acabam se sentindo divididas. Aquelas que conseguem avançar, avançam de forma mais lenta do que os homens. Grandes cientistas nunca se casaram, mas nem todas estão dispostas a renunciar a maternidade.

A carreira ou o mercado as discriminam?

Isso tudo constrói a discriminação porque, para ser uma grande cientista, é preciso ser reconhecida pelos seus pares, não basta a produção. Talvez por isso a física seja uma das carreiras cientificas na qual numero de mulheres é um dos mais baixos, no Brasil e no mundo.

O que ainda falta para que elas possam ter o mesmo reconhecimento?

Menos barreiras e que os homens dividam os encargos da maternidade.

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