Ocupação do mercado teatral

Mostra abre espaço para elencos de atores negros

iG Minas Gerais | Joyce Athiê |

“O Que Não Vaza É Pele” é sobre vivência de Alexandre de Sena
Guto Muniz
“O Que Não Vaza É Pele” é sobre vivência de Alexandre de Sena

Com um número maior de trabalhos sendo produzidos, Soraya Martins diz ser preciso ter um olhar crítico sobre as criações. “A gente, como qualquer outro teatro, tem que mostrar qualidade, mas parece que a gente tem que provar isso sempre duas vezes”, ressalta. Para Alexandre de Sena, “o que é fazer teatro negro hoje?” é a pergunta capital. “O mercado, tradicional e até o independente, não fala do negro porque é feito por pessoas brancas”, diz.  

Como um facilitador de oportunidades que possam contribuir para alterar essa realidade, a Mostra Benjamin de Oliveira irá selecionar cinco espetáculos de circo, dança, teatro e performance com elenco formado, em sua maioria, por atores negros. “A gente não trabalha pela simples satisfação. A gente faz teatro para modificar vidas e todo o contexto em que a gente vive. Tem gente que quer e precisa trabalhar com sua arte. A gente só abre um espaço para ela se mostrar e se fazer vista”, diz Maurício Tizumba, idealizador da mostra.

Os interessados devem se inscrever pelo site burlantins.com.br/mostra até 15 de março. Os selecionados receberão cachê de R$ 4.000 e auxílio logístico e técnico.

Em sua terceira edição, a mostra pretende alcançar outros territórios, abrindo inscrições para todo o país, como uma forma de estabelecer maior diálogo entre os diversos profissionais que atuam com o teatro negro. A programação da mostra, que será realizada entre 13 e 24 de maio, contempla, além dos trabalhos selecionados, espetáculos de artistas convidados e uma série de encontros para reflexão sobre o negro e as artes cênicas. 

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