Mário Pedrosa ganha coleção

Editora Cosac Naify homenageia o escritor pernambucano com sete volumes sobre arte, arquitetura, política e cultura

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Agitador cultural. Mário Pedrosa teve papel importante na evolução de movimentos artísticos
arquivo/ajb
Agitador cultural. Mário Pedrosa teve papel importante na evolução de movimentos artísticos

São Paulo. Arauto da abstração construtiva no Brasil, o crítico Mário Pedrosa (1900-1981) está para o Brasil como o italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992) para a Europa, e o norte-americano Clement Greenberg (1909- 1994) para os EUA. A exemplo dos dois, ele teve um papel crucial na evolução de importantes movimentos artísticos, entre eles o neoconcreto, que deu ao mundo artistas como Lygia Clark (1920-1988), hoje reverenciada pelo MoMA de Nova York.

Mas é com o contemporâneo Argan que Pedrosa mais se identifica, não só por ter sido um militante de esquerda como por suas intervenções em defesa da arquitetura moderna – Niemeyer e Brasília, em especial – e da abstração, fortalecendo o debate em torno da arte gestáltica e da produção artística de confinados em instituições psiquiátricas.

É esse o homem que a editora Cosac Naify homenageia com o lançamento de uma coleção de sete volumes – passível de ampliação, como adianta o editor Milton Ohata – dividida em quatro núcleos temáticos: arte, arquitetura, cultura geral e política. A reedição se baseia nos livros organizados e publicados anteriormente pela professora e filósofa Otília Arantes (Edusp) e a crítica Aracy Amaral (para a Perspectiva).

No dia 27, chegam às livrarias os dois primeiros volumes: “Mário Pedrosa: Arte/Ensaios” e “Mário Pedrosa: Arquitetura/Ensaios Críticos”. O primeiro foi organizado pelo crítico Lorenzo Mammì e o último, pelo crítico de arquitetura Guilherme Wisnik. Pedrosa não chegou a publicar um livro sobre arquitetura, nem mesmo um ensaio mais longo sobre o tema, como lembra Wisnik, mas publicou vários artigos em jornais, textos corsários de um militante da arquitetura moderna que não temia o confronto com militares conservadores como Renato Guillobel (1892-1975), ministro da Marinha de Vargas que só autorizava a construção de prédios neoclássicos.

O crítico Paulo Herkenhoff, que prepara com a colega Glória Ferreira um livro sobre Pedrosa para o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), já disse dele que “a crítica se divide entre antes e depois de Pedrosa”. Sem dúvida. Suas experiências de exílio político (uma no Estado Novo e outra durante a ditadura militar de 1964) possibilitaram que ele convivesse com os maiores teóricos e artistas de importantes movimentos, como o surrealismo, o novo realismo e o neoconcretismo, que apadrinhou.

Nascido em Pernambuco, cresceu paraibano, passou a adolescência nos Alpes suíços e retornou ao Brasil, com o fim da guerra, em 1945, para defender as vanguardas artísticas.

Agitador cultural, dirigiu o Museu de Arte Moderna de São Paulo, foi um dos organizadores das bienais de 1953 e 1955 e promoveu tanto defensores do conteúdo social da arte – entre eles Portinari (1903-1962) – como criadores fora desse circuito, sendo o mais lembrado o norte-americano Alexander Calder (1898-1976), pioneiro na exploração do movimento na escultura que levou Pedrosa a se aproximar da abstração.

O historiador Francisco Alambert, que organiza o volume sobre cultura geral, adianta que o livro vai mostrar como, além de crítico, “Pedrosa foi um pensador da cultura, avesso ao desenvolvimentismo, que confessa sua estranheza sobre as novas formas de arte surgidas depois da pop, como a performance e a body art”.

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