O mesmo golpe da baixaria

Gugu Liberato retorna à televisão de forma eficiente, mas sem perder tom sensacionalista e apelativo

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Mais do mesmo. 
Gugu continua com os mesmos quadros de seus programas desde os anos 90
Record/Divulgação
Mais do mesmo. Gugu continua com os mesmos quadros de seus programas desde os anos 90

Gugu Liberato é um bicho da televisão. Com 30 anos de carreira e ciente das engrenagens e do que é atualmente vendável no veículo, ele parece não querer perder em sua volta à Record. Na ânsia de apagar sua saída com ares de fracasso da mesma emissora, em 2013, o apresentador do “Gugu” decidiu mostrar seu poder de fogo logo de cara. Na primeira semana de seu “novo” programa, reuniu seus amigos famosos e exibiu uma controversa entrevista com Suzane von Richthofen. Embora baixo, apelativo e com direito a muito sensacionalismo, o tiro foi certeiro. Em um horário onde a Record não costuma passar dos oito pontos, a estreia do apresentador teve média de 16 pontos. Exibido às terças, quartas e quintas-feiras, nos dias depois da estreia, mesmo perdendo audiência, a produção vem fechando suas edições com média acima dos dois dígitos.

Por incomodar o SBT e a Globo, o resultado é comemorado na Record e mostra toda a experiência de Gugu em comandar a massa. No entanto, não fosse a entrevista negociada e bombástica, a produção correria o risco de passar despercebida. Afinal, o que se vê em cena é o mesmo Gugu dos anos 90, auge do apresentador à frente do “Domingo Legal”, do SBT, época em que ele mantinha uma acirrada disputa pela audiência aos domingos com o “Domingão do Faustão”. Exceto por uma pegada um pouco mais jornalística no conteúdo, as bailarinas erotizadas, as conversas a bordo de um táxi, gincanas e provas com água continuam pautando a carreira do apresentador.

Do ponto de vista técnico, a independência de Gugu chama atenção. Realizado a partir de uma parceria entre a Record e a GGP, produtora do apresentador, os cenários, iluminação, edição e todo o aparato de produção do “Gugu” fogem do estilo cafona já tradicional na Record. Não que apresente alguma revolução em termos técnicos, mas o programa se mostra de forma digna ao público. Feito na medida para o telespectador que estava com saudades de seu estilo de apresentar, Gugu não tenta e nem quer reinventar a roda. Mas, como já é de praxe, promete mais do que pode entregar. Sendo assim, entretém e informa pela metade, em uma eterna e desesperada busca pelo prestígio e credibilidade perdida ao longo do tempo.

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