Para todos os gostos

iG Minas Gerais |

Alguns dirigentes de clubes da Série A do Brasil estão se movimentando para que o Campeonato Brasileiro volte a ser disputado em sistema mata-mata, depois de uma primeira fase por pontos corridos. Eles alegam que a velha fórmula é mais emocionante e mais rentável, pois os jogos eliminatórios tendem a atrair mais público, como se o afastamento das pessoas de bem dos estádios brasileiros tivesse a ver com a fórmula de disputa das competições. Sinceramente, não tenho uma opinião definitiva sobre o melhor formato, pois há argumentos convincentes e sólidos das duas correntes. Mas porque não ter duas grandes competições nacionais com fórmulas que agradem a todos: o Brasileiro por pontos corridos, mais justo com os times que se preparam melhor, e a Copa do Brasil, em mata-mata, mais “emocionante e rentável”? Ainda mais agora que os times que participam da Libertadores também disputam a Copa do Brasil. Não dá mais para falar que a Copa do Brasil é o caminho mais curto para a Libertadores, pelo menos do ponto de vista técnico. Talvez a Copa do Brasil seja, atualmente, até mais complicada de ser ganha do que o Brasileiro, onde um, dois, três, quatro tropeços podem ser recuperados. Muito dificilmente teremos novamente um Santo André, um Paulista, um Criciúma, um Juventude campeões da Copa do Brasil, como aconteceu quando os times na Libertadores ficavam fora da competição, que ainda não tinha o status atual. O que deve estar por trás desse movimento pelo mata-mata é a posição da emissora de TV que detém os direitos de transmissão do Brasileirão, que sempre foi contra os pontos corridos. A Globo tem todo o direito de lutar por aquilo que é melhor para ela: mais audiência. Quanto a isso não há dúvida! Os jogos mata-mata são realmente mais emocionantes, mas também mais suscetíveis a erros de arbitragem, que tanto já prejudicaram equipes de fora do eixo Rio-São Paulo, como Atlético (a favor) e Cruzeiro (contra). É triste constatar essa eterna subserviência dos clubes do país à televisão, que, em um futebol desorganizado e de joelhos para a CBF – que dispensa comentários –, representa grande, se não a maior parte dos recursos que os clubes recebem, quando não precisaria ser assim. Mas, entre a Globo a CBF, sou muito mais a Globo, que não precisa provar nada para ninguém quando o assunto é organização e excelência, o que sempre faltou à CBF, para ficar somente na organização e na excelência. Como canso de lembrar, passou da hora de os clubes montarem uma liga e se livrarem da CBF. E porque não aproveitar esse momento? Já que esses clubes dependem mesmo do dinheiro da TV – pelo menos enquanto não abrirem mais o leque de fontes de renda, como alguns já estão fazendo com os programas de sócio-torcedor –, poderiam fechar de vez com a Globo por um Campeonato Brasileiro com mata-mata, mas com mais dinheiro para eles. Com a liga, passariam a negociar em bloco, o que aumentaria o poder para pedir mais recursos à televisão. O que deveria estar sendo discutido pelos clubes, além da criação da liga – a alforria definitiva deles –, poderia ser ingresso mais barato, extinção das torcidas organizadas, menos jogos e em horários mais adequados a quem quer ir ao campo, estaduais mais curtos, fim do STJD e conforto e segurança nos estádios sem padrão Fifa. Não custa esperar. Já acreditar...

Pena. Na semana passada, contei a história de um herói brasileiro que tem um projeto social para ensinar tênis, que sobrevive a duras penas, enquanto os políticos se preocupam em legislar para eles mesmos, com auxílio-isso, auxílio-aquilo. Fiquei de procurar o nome desse abnegado, que realmente está preocupado em melhorar o Brasil, mas não encontrei a reportagem. Em homenagem a ele, não desistirei.

Clássico. O jogo de amanhã, entre Cruzeiro e Atlético, deve decidir quem chegará à final do Estadual com a vantagem de jogar por dois empates, com todo respeito ao América, o único que pode atrapalhar a decisão mais esperada e mais provável. Mas, diante das campanhas de ambos na Libertadores, vai servir para que o vencedor, se houver, ganhe moral para a sequência da competição continental.

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