Terras em MG valorizam mais que média nacional

Taxa foi de 361% entre 2002 e 2013; no país, índice médio alcançou 308%

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Geografia. Valorização de terras mineiras está relacionada com a boa posição geográfica do Estado
DENILTON DIAS / O TEMPO
Geografia. Valorização de terras mineiras está relacionada com a boa posição geográfica do Estado

A terra rural teve valorização média de 308% no país, entre 2002 e 2013, superior à taxa de inflação (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que foi de 121,9% no mesmo período. Em Minas, a alta foi ainda maior – 361% –, a mais expressiva da região Sudeste. Os dados são do estudo da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa), em conjunto com pesquisador da Universidade de Brasília (UNB), Flavio Botelho. Em 13 Estados, essa valorização foi superior à média nacional. A maior foi a do Tocantins (698,5%), seguida pelo Mato Grosso do Sul (586,0%) e Sergipe (578,3%).

O coordenador geral de planejamento estratégico da AGE e um dos autores do estudo, José Garcia Gasques, diz que vários fatores interferem no preço da terra, que é determinado, em especial, pela expectativa de ganhos que ela oferece a quem a possui. O aumento da produção agrícola nos últimos anos, com destaque para a soja, também ajudou na valorização, que ganhou força com o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para a agricultura, além da profissionalização dos produtores rurais e a maior disponibilidade de crédito. “Preços agrícolas, crédito rural e produtividade são relevantes. A localização e a proximidade com a infraestrutura adequada para o escoamento da produção também interferem no valor da terra”, observa. Maior bem. Gasques observa que a terra representa 70,5% do valor dos bens existentes nos estabelecimentos agropecuários no país. Os demais valores são distribuídos em prédios, instalações e benfeitorias, lavouras permanentes e temporárias, matas e outros bens, como veículos, máquinas e animais. Conforme o pesquisador, a valorização de terras mineiras está relacionada com a boa posição geográfica, já que o Estado está próximo de grandes centros urbanos consumidores. “Outro ponto que pode ser destacado é que em São Paulo as terras já se valorizaram demais em outras épocas. Não há mais espaço para tantas altas, e a valorização lá está bem próxima do teto”, diz. Em São Paulo, a valorização média de 2002 a 2013 foi de 297,2%, menor que a média brasileira, o que não significa que a terra está barata. De acordo com a FGV- Agroanalysis, de dezembro do ano passado, o preço médio de terras em Minas Gerais ficou em R$ 8.841,16 por hectare, enquanto que, em São Paulo, foi de R$ 19 212,84/hectare. “No Estado de São Paulo, em Campinas, terras para o plantio de videiras podem ser encontradas por mais de R$ 100 mil/hectare”, diz. 

Perspectiva para 2015 não é de altas expressivas no preço A tendência em médio prazo no país é de valorização das terras rurais, conforme o pesquisador José Garcia Gasques. “A demanda pelos produtos agrícolas, tanto interna como externa, tende a crescer. Agora, para este ano, diante do cenário de arrefecimento da economia, a perspectiva não é de altas expressivas no preço”, analisa. Ao mesmo tempo, ele lembra que os momentos de incertezas tendem a valorizar as terras. “Muita gente ainda vê a terra como um porto seguro em períodos de crise”, diz. O pesquisador ressalta que, uma das soluções quando a terra fica muito cara, é aumentar a produtividade na terra disponível com investimentos em tecnologia.

Soja Impacto. Dependendo da região e da tecnologia, a terra para a produção de soja equivale a cerca de 18% do custo total. E nas lavouras de inverno, como trigo, entre 10% e 13%.

Tendência não acontece só no Brasil A valorização das terras rurais nos últimos anos não ocorre apenas no Brasil, segundo o coordenador geral de planejamento estratégico da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa), José Garcia Gasques. Nos Estados Unidos, em áreas destinadas a pastagem e a lavouras, entre 2002 e 2014, os preços médios aumentaram 157,8%. A média do preço de terras de lavouras em 48 Estados passou de US$ 3.929 em 2002, para US$ 10.131 em 2014. As terras que mais tiveram aumento de preços, conforme ele, foram as da região do Corn Belt, que é a maior produtora de grãos do país, com destaque para as irrigadas 14,7%, enquanto que as não irrigadas, a alta chega a 8,1%.

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