Para rir e refletir o caos

Montagem do diretor Luiz Arthur une clássico do cinema de Sidney Lumet e a literatura de Millôr Fernandes

iG Minas Gerais | Joyce Athiê |

Gênero misto. Espetáculo faz uso do riso para refletir, entre outros temas, a convivência com as diversas formas de viver a sexualidade
Catarina paulino / divulgação
Gênero misto. Espetáculo faz uso do riso para refletir, entre outros temas, a convivência com as diversas formas de viver a sexualidade

Com a proposta de trabalhar o diálogo entre o cinema e o teatro, a montagem do diretor Luiz Arthur leva para os palcos a adaptação do vencedor do Oscar de melhor roteiro original, em 1975, “Um Dia de Cão”, de Sidney Lumet. Realizada por alunos da Escola de Teatro da PUC, a peça “Um Dia de Kaos” terá única apresentação hoje, às 19h, na própria escola.

Para o diretor Luiz Arthur, o filme, que relata um assalto malsucedido a um banco, organizado por um homem que queria conseguir o dinheiro para a operação de troca de sexo de seu companheiro, é um verdadeiro circo pegando fogo. “É um caos que apresenta vários núcleos de personagens separados, mudanças de cenas e de lugares que eles percorrem. Uma confusão que me pareceu ser um mote interessante para falar do caos de hoje”, comenta.

No baú, está também o preconceito do negro e do homossexual. Para Iviler de Rocha, ator que vive o transexual Leon, mais do que a intolerância, a montagem fala também das descobertas e das formas de lidar com as questões levantadas por diferentes sexualidades fora da heteronormatividade. “A meu personagem é exigido uma masculinidade que ele não deseja para ele”, exemplifica.

Na busca por um elemento central, Luiz Arthur encontrou o caos. “Eu tentava focar algo específico, mas percebi que tudo faz parte dessa vida caótica que a gente vive. A intolerância, a política, o poder da mídia e da polícia, as relações sociais e familiares. Está tudo ali”, completa.

No meio de tantas questões, o diretor se lembrou da peça teatral “Kaos”, de Millôr Fernandes, que aborda a loucura cotidiana e expõe as neuroses da sociedade. “Dessa peça, inserimos alguns trechos. São questões tão próximas que a gente tenta refletir como essas relações de caos nos afetam a ponto de chegarem dentro de nossas casas”, diz.

Para Iviler de Rocha, o discurso de Millôr foi incorporado com naturalidade devido às aproximações que já existiam. “Ele beira o absurdo, mas um absurdo muito próximo da realidade em que as pessoas falam, mas não se compreendem”, conclui.

Diferente do filme que apresenta de forma realista cenas em diversos espaços – internos e externos, a montagem recebe um tratamento teatral que diferencia os ambientes por planos, por meio do estabelecimento de convenções e jogos cênicos.

Agenda

O quê. Espetáculo “Um Dia de Kaos”

Quando. Hoje, às 19h

Onde. Escola de Teatro PUC Minas (Prédio 20, portaria 9, acesso pelo av. 31 de Março, Coração Eucarístico)

Quanto. Gratuito, com distribuição de senhas uma hora antes da apresentação

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