Bike e veículos na mesma via

BHTrans estuda reduzir velocidade de ruas e avenidas para compartilhamento do espaço

iG Minas Gerais | Aline Diniz/ luiza muzzi |

JOÃO GODINHO
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Ruas e avenidas da região Centro-Sul de Belo Horizonte serão adaptadas para garantir um compartilhamento mais harmônico entre veículos e bicicletas. Projeto da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) pretende criar, ainda neste semestre, mecanismos para a redução da velocidade em vias de tráfego menos intenso. A intenção é proporcionar mais segurança para quem usa ou quer utilizar a bike para se deslocar pela cidade.

Em a entrevista a O TEMPO, Eveline Trevisan, coordenadora do programa Pedala BH, da BHTrans, informou que o assunto está em discussão. Ainda não há, porém, um detalhamento de quais ruas receberão o projeto. Eveline explicou que a ideia é que a velocidade máxima permitida nessas vias seja reduzida para 30 km/h. A novidade foi debatida em oficinas no fim do ano passado entre o poder público e usuários. “Com os ciclistas, elencamos as vias onde estavam previstas ciclovias e fizemos uma discussão sobre que outros tratamentos poderiam ser possíveis na área central, não necessariamente com ciclovia segregada”, disse. Nas vias ainda a serem escolhidas não haverá separação física entre veículos e bikes. A BHTrans não informou, no entanto, quais mecanismos serão utilizados para possibilitar essa redução da velocidade, nem se haverá uma faixa pintada no asfalto delimitando o corredor para cada tipo de veículo. Voluntário da Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo), Vinícius Mundim explica que vias pesadas, como a avenida Afonso Pena, demandam ciclovia. Outras, porém, poderiam receber as chamadas “ciclorrotas”. “Em vias como as ruas Guajajaras e Rio de Janeiro, a ciclovia (de mão dupla) se justifica se for para ligar outras ciclovias. Se for mão única, o ideal é tratar a via como ‘zona 30’. Diminui a velocidade dos carros e dá segurança para pedestres e ciclistas”. Para quem pedala todos os dias, o compartilhamento poderia evitar desrespeito. “Faço sinal, ando na direita e alguns motoristas gritam me mandando ir para o passeio. Acho que é uma ótima ideia e deveria haver uma propaganda disso para melhorar a educação no trânsito”, avalia a psicóloga Simoni Alves, 48. Análise. Professor do Departamento de Tráfego da Fumec, Márcio Aguiar avalia como positiva a iniciativa, mas pondera que sem fiscalização os motoristas não vão respeitar a velocidade. “Nos países onde as velocidades já foram reduzidas, as pessoas respeitam porque a fiscalização é intensiva. Radar seria a única forma de fiscalização”. Segundo Aguiar, é preciso que haja algum artifício de demarcação na via, como uma faixa no asfalto. Além disso, a prefeitura precisará melhorar o pavimento e sinalizar a velocidade máxima permitida e o compartilhamento. “A proposta é muito bem-vinda, a preocupação é a operacionalização”.

Ciclistas

Expansão. As outras oito regionais da capital receberão 150 km de ciclovias até o fim de 2016 – os locais estão sendo definidos. Segundo a BHTrans, o financiamento do governo federal está garantido.

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