Líderes repudiam destruição de cidade milenar por terroristas

Radicais atacaram sítio arqueológico de Nimrud, considerado patrimônio da humanidade

iG Minas Gerais |

Patrimônio.Relevo da antiga civilização assíria em Nimrud, fundada no século 13 a.C. O chamado “tesouro de Nimrud”, achado em 1988, é uma coleção de 613 objetos descritos como a descoberta mais importante desde a tumba de Tutankamón, em 1923, no Egito
HUBERT DEBBASCH
Patrimônio.Relevo da antiga civilização assíria em Nimrud, fundada no século 13 a.C. O chamado “tesouro de Nimrud”, achado em 1988, é uma coleção de 613 objetos descritos como a descoberta mais importante desde a tumba de Tutankamón, em 1923, no Egito

Washington, EUA. A Casa Branca manifestou sua indignação nesta sexta com a demolição “incompreensível” das históricas ruínas na antiga cidade assíria de Nimrod, no Iraque, por parte do Estado Islâmico (EI). Estamos “profundamente tristes com a incompreensível destruição de objetos históricos, culturais e religiosos no Iraque, incluindo os recentes ataques em Nimrod”, declarou o Conselho de Segurança Nacional.  

O governo norte-americano classificou a devastação como “crime de guerra”, mesma expressão usada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “A destruição deliberada da nossa herança cultural é um crime de guerra e representa um ataque à humanidade como um todo”, declarou Ki-moon.

A diretora da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Irina Bokova, também condenou a ação. “Não podemos permanecer em silêncio. Faço um apelo a todas as autoridades políticas e religiosas da região que se rebelem contra este novo ato de barbárie”, declarou. Segundo Bokova, “a limpeza cultural, da qual o Iraque é objeto, não pára e tem como objetivo a vida humana e as minorias, além de ser acompanhada da destruição sistemática de um patrimônio milenar da humanidade”.

Depois de ter incendiado a valiosa biblioteca de um museu de Mossul em fevereiro, o EI começou na quinta-feira a destruir com escavadeiras as ruínas assírias de Nimrod. A joia arqueológica, de valor incalculável, fica 30 km ao sudeste de Mossul, um reduto estratégico para os jihadistas.

Em 2014, eles iniciaram uma rápida ofensiva a partir da Síria, assumindo o controle de amplos territórios no Iraque. “Ainda não sabemos até que ponto a cidade foi destruída”, disse um funcionário do governo.

Situadas na bacia do rio Tigre, as ruínas são as vítimas mais recentes da campanha dos jihadistas para dizimar o rico patrimônio do Iraque. “Estou arrasado, mas era uma questão de tempo. Agora, estamos esperando o vídeo ”, desabafou o arqueólogo iraquiano Abdelamir Hamdanie. Uma parte dos impressionantes frisos e estátuas colossais de touros alados com cabeças humanas de Nimrod foi deslocada para museus de diversos países ao longo do século 19. As estátuas destruídas são aquelas imponentes, impossíveis de transportar, segundo os especialistas.

Terror na Líbia

O Estado Islâmico (EI) atacou o campo de petróleo de Al-Ghani, no sul da Líbia, matando oito guardas. “Extremistas da filial líbia do grupo EI realizaram um ataque surpresa contra o campo de petróleo (de Al-Ghani), matando oito soldados, os quais foram decapitados”, indicou Ali Al-Hassi.

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