Consumo de atum durante a gravidez entra em debate

Evidências apontam que comer frutos do mar faz bem ao cérebro dos bebês

iG Minas Gerais | Tara Parker Pope |

Controle. Estudo sugere limitar o consumo de garoupa, merluza-negra, anchova, halibute, peixe-carvão-do-pacífico, sororoca e atum fresco
LEO FONTES / O TEMPO - 21/05/09
Controle. Estudo sugere limitar o consumo de garoupa, merluza-negra, anchova, halibute, peixe-carvão-do-pacífico, sororoca e atum fresco

Nova York, EUA. Durante anos, as grávidas foram alertadas para que não comessem atum por medo de exposição ao mercúrio. Porém, um grupo de discussão federal dos Estados Unidos reacendeu o debate sobre os benefícios e os riscos de comer atum e outros frutos do mar durante a gravidez.

Especialistas concordam que frutos do mar são ricos em nutrientes importantes tais como o ácido graxo ômega 3 e vitamina B, e que a maioria das pessoas não os ingere em quantidade suficiente. Diversos estudos mostram que os nutrientes dos peixes são particularmente importantes para o desenvolvimento cerebral em fetos e a nutrição infantil. Como parte de uma revisão abrangente de recomendações sobre nutrição, o Comitê Consultivo de Diretrizes Dietéticas reafirmou recentemente as atuais diretrizes: os norte-americanos deveriam comer uma ampla gama de frutos do mar. O relatório também reconheceu o risco da exposição ao mercúrio em determinados tipos, observando que mulheres grávidas, amamentando ou que podem engravidar devem evitar o peixe-paleta-camelo, tubarão, espadarte e cavala por causa de seus elevados níveis de mercúrio. O grupo de discussão manteve a recomendação sobre o atum, que só perde em popularidade para o camarão nos Estados Unidos. As diretrizes atuais da FDA, agência norte-americana reguladora de alimentos e medicamentos, afirma que grávidas e mulheres amamentando devem limitar o consumo de atum a 170 gramas por semana. O comitê consultivo dietético recomendou que essas agências reavaliassem a posição a respeito de atum e grávidas, observando que o atum albacora é um caso especial. O grupo observou que mesmo quando as mulheres comem o dobro da quantidade de atum recomendada semanalmente, os benefícios superam em muito os riscos. “Todas as evidências são em favor dos benefícios proporcionados para o desenvolvimento infantil e redução do risco (de doenças cardíacas)”, escreveu o grupo. A sugestão de que grávidas pudessem comer mais albacora – o tipo de atum geralmente enlatado – aborreceu grupos pedindo alertas mais acentuados sobre o mercúrio na embalagem do peixe. “O atum é responsável por quase sete vezes mais exposição ao mercúrio que os quatro peixes com a maior quantidade de mercúrio que a FDA aconselha as grávidas a não comer”, disse Michael Bender, diretor do Mercury Policy Project, em comunicado oficial. “Então, por que as diretrizes dietéticas propostas para 2015 recomendam que grávidas comam mais?”, questionam. Contudo, o doutor Steven Abrams, integrante do grupo de discussão e diretor médico do programa de nutrição neonatal da Faculdade de Medicina Baylor, afirmou que, embora as mulheres necessitem estar cientes dos tipos de peixe que comem, existe forte evidência de que comer peixe faz bem para o cérebro dos bebês. “A meta das diretrizes dietéticas é dar às pessoas um jeito saudável de comer e não incluir ou excluir determinados alimentos”, disse.

Medida certa De acordo com a agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA, a FDA, grávidas e mulheres amamentando devem limitar o consumo de atum a 170 gramas por semana.

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