Precisamos falar sobre a água

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Ativistas - Sebastião e Lélia Salgado vêm a BH falar sobre o Terra e sua influência em ‘Gênesis’
JACKSON ROMANELLI/DIVULGAÇÃO
Ativistas - Sebastião e Lélia Salgado vêm a BH falar sobre o Terra e sua influência em ‘Gênesis’

 

Entre as décadas de 1970 e 1980, a região do médio rio Doce, que corresponde aos municípios de Tumiritinga e Aimorés, a 440 km de Belo Horizonte, desenvolveu um processo de desertificação que levou à migração de 40% de sua população. Alguns anos mais tarde, o aimoreense Sebastião Salgado comprou o terreno do pai para revolucionar o ecossistema local. É essa experiência que ele e sua esposa Lélia Wanick Salgado contam ao público na próxima edição do “Sempre um Papo”, nesta segunda (9), no Sesc Palladium. “Se antigamente a gente se interessava pelos seres humanos, hoje é pelos seres vivos. O mar é vivo, o vento é vivo. Estamos hoje de olho em tudo isso”, garante Lélia, que divide com Salgado a direção do Instituto Terra.   Criado em 1998 para reverter o cenário de degradação ambiental em que se encontravam as terras da família do fotógrafo, o Terra já plantou mais de dois milhões de mudas de espécies de Mata Atlântica em Aimorés. Grande parte da proposta já foi cumprida, uma vez que o solo foi recuperado, bem como os animais e a água que banhava os mais de 7.000 hectares da área.   O projeto mais ambicioso do casal, no entanto, está apenas começando. Lélia e Salgado têm como próxima meta a recuperação de todas as nascentes de afluentes do rio Doce – em 853 km de percurso até a foz em Linhares (ES), são mais ou menos 370 mil. “É um projeto ambicioso, mas absolutamente necessário. É pra daqui a 25 ou 30 anos, mas agora é a hora de todo mundo pensar na água. O que a gente faz é tentar recuperar toda a floresta, a fábrica da água e do ar. Dá trabalho, mas se por outros lados do Brasil quiserem replicar a nossa ideia, seria genial”, afirma Lélia.   Cinema Por falta de tecnologia e expertise para tornar o solo fértil, 60% de toda a primeira leva das mudas não vingaram. Assim, a partir das primeiras experiências com a terra devastada de Aimorés, Sebastião sentiu a necessidade de ver e retratar os cantos mais inóspitos do planeta. Áreas ainda intocadas pelo consumo e onde ainda vivessem sociedades arcaicas seriam seus destinos. Daí surgiu “Gênesis”, série de fotografias batidas ao longo de oito anos que já rodou mais de 24 museus pelo mundo, e “Sal da Terra”. Este, documentário dirigido pelo alemão Wim Wenders e pelo filho de Tião, Juliano Salgado, concorreu ao Oscar deste ano e retrata não só as viagens do fotógrafo, mas o ponto de vista do homem por trás das câmeras.   “O filme mostra o embrião do Terra e conta não só a história do Sebastião, mas a maneira como ele chegou onde chegou. Ele conta histórias duras, de tudo que já viveu e presenciou, mas também tem partes maravilhosas, cheias de esperança. Isso cunhou um filme muito interessante e emocionante”, confessa Lélia sobre o longa que também será pauta do encontro no Sesc Palladium.    Também segundo ela, o lançamento de dois livros podem ser esperados para este ano: o primeiro de Sebastião, “Outras Américas”, que completa 30 anos, será reeditado. Outro, com as dez séries que o fotógrafo produziu sobre o café, deve se chamar “Perfume de Sonho – Uma Viagem ao Mundo do Café”. Algumas das fotografias farão parte da Expo Milão 2015, em maio.   Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado Em “Sempre um Papo”, sobre o tema “A Questão da Água e o Instituto Terra” Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 420, centro, 3261-1501). Nesta segunda (9), às 19h30. Entrada gratuita.

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