Pelas entrelinhas do silêncio

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Tabus - Suzana Faini como Esther, na noite em que sua reunião de família pega fogo
RENATO MANGOLIN/DIVULGAÇÃO
Tabus - Suzana Faini como Esther, na noite em que sua reunião de família pega fogo

Ao abordar a história das jovens judias que vieram da Polônia no final do século XIX e início do século XX para fugir da fome e acabaram se prostituindo no Brasil, “Silêncio!” promove uma reflexão sobre como fugimos dos assuntos que nos incomodam. Afinal, essa saga foi renegada pelas próprias “polacas” (como ficaram conhecidas as prostitutas judias) e por seus descendentes. Com texto de Renata Mizrahi e protagonizada por Suzana Faini, “Silêncio!” cumpre temporada dias 13 (sexta) e 14 (domingo), no cine Brasil.

A história se passa durante um jantar de shabat – período entre o pôr-do-sol da sexta-feira e o pôr-do-sol do sábado que o judaísmo determina como de descanso – na casa de Débora, que está prestes a noivar. Também é aniversário de 50 anos de sua mãe, Regina, e Débora resolve estrear como anfitriã para a família. Com doses de humor, drama, histeria, saudosismo e compaixão, “Silêncio!” problematiza o dito e o não dito em torno da mesa da família judaica. “No meio de tudo isso tem amor, amizade, preconceito, intolerância, raiva, medo, silêncios. Algumas coisas na vida não são ditas, são omitidas. Aí você vai passando pelo problema como se ele não existisse, até que em determinado momento explode e atinge muita gente”, conta Suzana Faini, que interpreta a autoritária Esther, a matriarca da família.    “Essa avó da Débora é uma mulher bastante preconceituosa. Sem ser má, ela é cruel e diz todo tipo de coisas terríveis. Ela é daquelas que sempre querem ter razão. O marido já não dá mais conta dela e vai guardando tudo, até que no fim ele faz uma revelação bombástica”, explica a atriz.   Teatrão Apesar de ser classificado pela própria Suzana como “teatrão”, a atriz – que venceu o Prêmio Cesgranrio 2014 e foi indicada ao Prêmio Shell por sua atuação no espetáculo – defende o formato do espetáculo e garante qualidade e identificação à plateia. “São situações que acontecem em todas as famílias, por isso a resposta do público incrível – há momentos de humor e outros em que de repente as pessoas estão soluçando. Tem muito assunto ali e eu sinto uma sede do público por histórias bem contadas. O ‘teatrão’ bem feito é maravilhoso, as pessoas têm saudade disso. Às vezes, as peças de hoje são muito malucas”, declara.    Silêncio! Dir. Renata Mizrahi e Priscila Vidca Com Suzana Faini e Jitman Vibranoski Cine Theatro Brasil Vallourec (r. Carijós, 258, centro, 3201-5211). Sexta (13) e sábado (14), às 21h. R$ 40 (inteira).  

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