Além dos clichês

Começa a temporada ideal para visitas à capital russa, um celeiro de construções grandiosas e originais

iG Minas Gerais | Paulo Campos |

O Kremlin foi construído sobre a colina de Borovitski
Tuca vieira/divulgação
O Kremlin foi construído sobre a colina de Borovitski

Com o início da primavera, a partir deste mês, Moscou entra na mira dos turistas brasileiros, que, desde 2010, quando foram agraciados com a isenção de visto para o país, têm na capital russa um de seus destinos prediletos no Leste Europeu – principalmente na estação das flores e no verão, quando o Sol volta a brilhar naquela região gelada.

E tal decisão de viagem é mais do que justificada. Recordo-me da primeira vez (estive lá em outra ocasião) em que pisei o pé em Mocba, nome russo de Moscou, a ex-capital do mundo socialista, que esteve onipresente em minha juventude por causa de personagens como Ivan, o Terrível, Marx, Lênin e Trostky.

O primeiro sentimento do turista que desce em Moscou é o de emoção. O colapso da União Soviética é recente e isso faz diferença no imaginário coletivo. Há duas décadas, estar ali, num país fechado ao mundo, era algo impensável.

De resquício do antigo regime, o que o visitante vai perceber logo de cara são as filas lentas e intermináveis na ala de imigração, herança da burocracia socialista.

Beleza rara

“Moscou é uma cidade bonita, mas que há poucos vestígios do regime soviético”, apressou-se a informar a minha primeira guia na cidade, Yulia Fillipova, que falava um portunhol à moda russa, enquanto deixávamos o Sheremetyevo, um dos cinco aeroportos da capital moscovita, e seguíamos pela extensa avenida Leningrado. A cada esquina, deparávamos com placas indicativas em alfabeto cirílico, que, mesmo incompreensíveis, eram um testemunho da aventura que iríamos experimentar.

Pelo caminho, enfileiravam-se prédios modernos, shoppings com néons, estruturas altas e imponentes, que, por um segundo, fazem acreditar que o turista está em uma cidade capitalista, cosmopolita. O primeiro vestígio soviético surge no porto, um edifício histórico de arquitetura neoimperial. Porém, a imponência da tradicional arquitetura russa está por todo lado, para delírio do visitante.

Suvenires tradicionais: as chapkas (chapéus de pêlos) e a matrioska (matrona), uma série de bonecas colocadas umas dentro das outras, que surgiu na Rússia em 1880

 

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