Piazza lembra clássico com duas torcidas e pede paz no futebol mineiro

Ex-capitão do Cruzeiro lembrou que nos anos 60 os torcedores dos dois grandes de Minas conviviam de forma pacífica nos jogos no Mineirão

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Piazza conquistou títulos importantes no Cruzeiro, como à Taça Brasil e o troféu da Libertadores
ARQUIVO/O TEMPO
Piazza conquistou títulos importantes no Cruzeiro, como à Taça Brasil e o troféu da Libertadores

Rivalidade com paz e respeito. Isto é o que está faltando nos clássicos mineiros entre os torcedores de Atlético e Cruzeiro, na visão do ex-capitão da Raposa- dono da faixa de 1966 a 1976-  Wilson Piazza. O jogador aposentado participou nesta sexta-feira de um hangout -uma videoconferência via Youtube- promovido pelo Ministério do Esporte, para discutir sobre a violência que vem tomando conta das  torcidas nos últimos anos e para promover a campanha Grito Pela Paz nos estádios. No próximo domingo, os dois clubes se enfrentam às 16h, no Mineirão, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro.

Ídolo cruzeirense, Piazza relembrou durante o bate-papo os tempos em que era jogador e recordou que naquela época, as duas torcidas iam para os clássicos com intuito de apenas torcer, sem causar confusão.

“Quando cheguei ao Cruzeiro em 64 eu ficava deslumbrado com a presença das torcida nos clássicos. A gente enxergava a participação do torcedor dos dois lados, a paz era a palavra de respeito, de sentimento, de fraternidade, mesmo com a rivalidade. Era um tempo em que o torcedor ia em paz no estádio e voltava em paz, precisamos ver isso de novo”, recordou.

Durante a conversa online, que teve ainda a participação do secretário de futebol do Ministério do Esporte, Rogério Hamam e perguntas de internautas, Piazza considerou que a violência nos estádios é decorrente de ações de bandidos infiltrados nas torcidas organizadas. Entretanto, o ex-futebolista ressaltou que não se pode culpar todas as pessoas que participam das organizadas, já que no seu tempo também existia esse tipo de torcida.

“Na nossa época tínhamos as torcidas organizadas, as tais charangas, que faziam uma festa, animavam o futebol. Nós atletas tínhamos até um estímulo a mais, era gostoso de jogar com a banda, era legal também ter a torcida contrária também.  Temos que combater a violência, as organizadas são capazes de ter pessoas do bem, mas infelizmente estão oferecendo oportunidades aos bandidos”, afirmou.

O ex-capitão estrelado afirmou ainda que é contra a torcida única, e que é preciso combater os verdadeiros causadores da violência nos estádios, para não punir as pessoas de bem que querem ir aos jogos. “Um jogo de torcida só é muito ruim, na Copa vimos mistura de raças e povos, o nosso país precisa ter isso novamente. Ficamos preocupados de ver o futebol sem torcida, sem as famílias e não estamos combatendo o verdadeiro problema que é a violência”, finalizou.

A campanha Grito Pela Paz foi lançada pelo Ministério do Esporte, no dia 12 de fevereiro, após reunião com membros da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg). No domingo passado, no clássico entre Internacional e Grêmio pelo Gauchão, o jogo foi marcado pela presença da torcida mista.

No dérbi entre Cruzeiro e Atlético, neste fim de semana, os jogadores dos dois times entrarão no estádio com camisas estampadas com a hasthag #gritodepaz. As torcidas organizadas de Galo e Raposa também pretendem realizar a ação durante o jogo.