Morte de capivaras em cativeiro vira caso de polícia

Morte dos animais depois que foram capturados levanta suspeitas do movimento ligado aos direitos dos animais; prefeitura diz que não se opõe à visita, mas pede aviso prévio

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Animais. A prefeitura da capital estima que haja cerca de 250 capivaras na região da Pampulha e prepara a retirada dos roedores
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Animais. A prefeitura da capital estima que haja cerca de 250 capivaras na região da Pampulha e prepara a retirada dos roedores

A Polícia Civil irá investigar a morte das capivaras que foram capturadas pela prefeitura e são mantidas em cativeiro, após integrantes do Movimento Mineiro pelos Direitos dos Animais (MMDA) formalizarem o caso na delegacia. Foi aberto um procedimento investigativo pela delegada Andreia Poshmann da Divisão Especializada de Proteção ao Meio Ambiente, que irá intimar a solicitante da denúncia, emitir uma ordem de serviço para que uma equipe de policiais visite o local onde as capivaras estão encarceradas, além de solicitar a perícia para apurar as causas das mores e também pedir informações à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, FUndação Zoo-botânica e Ibama. 

Desde setembro do ano passado, quando começou a retirada das capivaras que vivem no entorno da lagoa da Pampulha, 52 animais foram capturados, mas somente, 30 deles teriam sobrevivido no cativeiro, onde aguardam ainda os procedimentos prometidos para o controle destes animais. A prefeitura diz que as mortes aconteceram em função de várias capivaras já terem sido capturadas debilitadas, mas integrantes MMDA contestam as justificativas e tentam, desde o ano passado, o agendamento de uma visita técnica ao local.

“A captura das capivaras não previu a esterilização destes animais como instrumento eficaz para interromper a sua procriação e também como prevenção da febre maculosa. Esses animais são extremamente frágeis e não estão acostumados a ficar presos. Em dezembro houve uma seca muito intensa e esses animais ficaram sem acesso a lagoa da Pampulha, e estamos falando de animais semi-aquáticos, então a nossa preocupação aumentou ainda mais”, explica a integrante do MMDA, Adriana Araújo.

Ainda conforme o movimento, a esterilização é importante porque só retirar os animais da lagoa não resolveria o problema, uma vez que novos grupos de capivaras podem chegar ao local e continuar procriando ali. “O consenso entre os técnicos é que as capivaras sejam esterilizadas e microchipadas. Pela falta da sinalização em se fazer isso, estamos requirindo em caráter de urgência à prefeitura a visita técnica de 22 profissionais, entre biólogos e veterinários, uma visita ao local”, conta.

Houve uma representação por parte do movimento no dia 23 de janeiro, ao qual o Ministério Público de Minas Gerais recomendou à prefeitura da capital que as visitas fossem liberadas em, no máximo, 15 dias. Passado mais de um mês, o MMDA fez nova solicitação, ao qual não houve resposta, segundo Adriana.

“Diante disso e sabendo, neste meio tempo, das mortes dos animais no local, entramos em contato com a prefeitura e o Ibama comunicando que iríamos fazer essa visita no dia 6 de março. No entanto, ontem (5), eu recebi uma ligação da Secretaria de Meio Ambiente nos informando que não estávamos autorizados a fazer essa visita”, relata a ativista.

Como resposta, ela recebeu da secretaria que não poderia fazer a visita porque precisaria haver uma preparação técnica da equipe para recebê-los. “Mas desde o dia 23 de janeiro eles estavam sabendo disso, porque precisa de preparação ainda? É isso que queremos saber. Fizemos um boletim de ocorrência nesta sexta junto a Polícia Militar de Meio Ambiente e a Polícia Civil, pedindo escolta para fazer essa  visita”, diz.

Em resposta a reportagem, a assessoria de comunicação da prefeitura informou que a visita foi marcada pela Adriana, que acompanhou todas as reuniões sobre o assunto, e que a prefeitura está agindo conforme o programado. O fato de que os animais poderiam ficar estressados com a visita dos técnicos também foi uma das justificativas da assessoria.

A prefeitura também informou que não se opõe à visita, mas pede para que seja informada com pelo menos cinco dias de antecedência e para que os nomes de todos os técnicos que irão acompanhar a ativista na visita, assim como suas respectivas profissões e formações sejam informadas.