Choque de tarifas segue com alta de preço de energia e ônibus

Os reajustes, todos extraordinários, foram concedidos porque o governo retirou subsídios das contas de luz e deixou de bancar por meio de empréstimos os encargos maiores com a energia comprada

iG Minas Gerais | Folhapress |

Aumento na conta de luz com revisões extraordinárias pode chegar a 26%
Daniel de Cerqueira/O Tempo
Aumento na conta de luz com revisões extraordinárias pode chegar a 26%

O choque das tarifas públicas e preços controlados pelo governo, responsável pela forte pressão da inflação neste ano, seguirá em março. Estão programados reajustes de energia em praticamente todas as capitais, além de aumentos nas taxas de águas e esgoto e ônibus em algumas cidades.

Foi divulgado nesta sexta-feira (6) o IPCA, índice oficial de inflação, usado pelo governo como base para a política de juros do país, que subiu 7,7% em 12 meses até fevereiro, na maior alta para o período desde 2005.

A revisão do custo da energia varia de 3,6% em Belém até 39% em uma das distribuidoras de Porto Alegre. Para São Paulo, a alta autorizada pela Aneel é de 31,9%.

Os reajustes, todos extraordinários, foram concedidos porque o governo retirou subsídios das contas de luz e deixou de bancar por meio de empréstimos (que contavam com a sua garantia) os encargos maiores com a energia comprada das geradoras pelas concessionárias que ficaram sem contrato --situação que afetou especialmente as empresas do Sudeste.

Também terão impacto no IPCA de março aumentos de ônibus em Porto Alegre, Curitiba e Goiânia --na faixa entre 11% e 18%. Goiânia, Vitória e Campo Grande já anunciam revisão da taxa de águas e esgoto. Em São Paulo, também está em estudo um aumento da Sabesp para compensar os descontos nas contas de que reduziu o consumo, o que afetou o desempenho da companhia. É também uma forma de inibir os gastos em tempos de seca e restrição do fornecimento (com a redução da pressão para algumas áreas da Grande São Paulo).

Vilão de março, a gasolina (alta de 8,42%) pode ainda sofrer com o retorno da Cide (tributo federal sobre os combustíveis), que deve voltar neste primeiro semestre a fim de gerar mais receitas para a União e colaborar com o ajuste fiscal.

Nesse cenário, boa parte do encargo de alinhar as contas do governo às menores receitas e voltar a um saldo positivo ficará com os consumidores. Em janeiro e fevereiro, os preços controlados pelo governo acumularam alta de 4,93%, muito acima do IPCA (2,48%).

Como o IPCA de fevereiro veio acima do previsto (1,22%, ante 1,08% do centro das apostas), analistas estão revisando suas projeções, mas não descartam novamente uma taxa ao redor de 1%.

A política de juros altos, corte de gastos do governo e o esfriamento do mercado de trabalho (que dá seus primeiros sinais) só deve ter impacto mais efetivo sobre a inflação do segundo semestre, quando o IPCA deve apresentar variações mais moderadas.

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