Bailarinos protestaram na avenida Afonso Pena contra fim de projeto

Grupo surgido há 8 anos foi encerrado por falta de "captação de recursos suficientes para a manutenção", conforme a Fundação Clóvis Salgado

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Bailarinos protestaram contra o fim do projeto, que existe há 8 anos
LINCOLN ZARBIETI - O TEMPO
Bailarinos protestaram contra o fim do projeto, que existe há 8 anos

Um grupo de bailarinos fez um protesto nesta sexta-feira (6) na avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, contra o fim do projeto Ballet Jovem do Palácio das Artes, que foi anunciado nos últimos dias na página oficial do grupo, que existia há oito anos. 

O projeto surgiu em agosto de 2007, com o intuito de preencher a lacuna existente entre a formação e a inserção de bailarinos no mercado. Valorizando o protagonismo juvenil no setor cultural mineiro e brasileiro, o Ballet Jovem contava com um corpo de dança formado por 32 dançarinos, com idades a partir de 15 anos, que cumpriam agenda de apresentações no Grande Teatro do Palácio das Artes, em espaços diversos de Belo Horizonte, no interior do Estado e em festivais Brasil afora.

Os jovens manifestantes chegaram a fechar o trânsito rapidamente, mas deram continuidade ao protesto na calçada em frente ao local. Segundo a BHTrans, o trânsito não chegou a registrar congestionamentos por conta do ato. 

Todos vestidos de branco, os bailarinos trouxeram vários cartazes com frases sobre o problema. "Profissionalização em dança" e "#FICA BALLET JOVEM PALÁCIO DAS ARTES" eram algumas das frases estampadas. Ainda conforme os manifestantes, desde o início do projeto os dançarinos foram assistidos por mais de 153 mil espectadores. 

Em entrevista ao jornal O TEMPO, a diretora do Ballet Jovem, Andréa Maia, contou que a notícia surgiu de forma inesperada, durante uma rotineira reunião de planejamento com representantes da Fundação Clóvis Salgado (gestora do Ballet Jovem), na última terça-feira (3). “Ainda estou muito surpresa. Fui à reunião com uma pasta de planejamento para 2015, com diversos projetos engatilhados, quando me comunicaram que iriam cortar o projeto”, conta.

“A justificativa foi a falta de verba para manter o Ballet Jovem. Tentei ao máximo argumentar, propondo cortes na folha de pagamentos durante o momento de crise, para evitar o encerramento. Afinal, é um projeto de sucesso, com oito anos de atividades intensas. Mas não teve jeito. Pediram para cancelar todos os ensaios logo no dia seguinte”, diz.

Em nota, o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Augusto Nunes-Filho, afirma que “infelizmente, apesar dos nossos esforços, não houve captação de recursos suficientes para a manutenção desse projeto”. Segundo o texto, o Ballet Jovem “é um projeto financiado por mecanismos de incentivo à cultura, a exemplo da Série Concertos no Parque, do FestCurtasBH e das temporadas de Óperas”.

Conforme apurado pela reportagem com integrantes do corpo de dança, o Ballet Jovem era formado por 16 bolsistas, que recebiam mensalmente R$ 860. O custo também incluía o pagamento da equipe de produção e direção, formada por três profissionais, chegando a um total que não ultrapassava R$ 20 mil.