Bate debate 6/3/2015

iG Minas Gerais |

Mais gerações  Marcelo Dias Costa Escritor contagense

"Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem, lembrai-vos de nós com indulgência.” Há de se pensar que toda caminhada não valeu de nada. Que todo conselho é um engodo, que todo velho é bobo e que a prudência é maçada! Pobre humanidade... Se é também na dor que as gerações se encontram... – Papai, eu te suporto. Mamãe, eu te odeio. Mas compartilhemos de toda revolução! De um mundo de liberdades! Mas, meu bem... Como pensar um futuro se negligencias o passado? Se o que é estabelecido é também intensificado por você, que por agora chega com tantas certezas, e que somente fortalece a já existente, mas que em frescor é potencializada, lacuna de gerações. “Queimemos os velhos! E junto a eles, que queimemos também o restante dos livros. Acredito piamente que, ao darmos fim a todos os velhos, numa tardia esperança de refletirem sobre nossa história, os estúpidos enfim recorrerão aos livros, o que não podemos deixar que aconteça”, à ribalta, urra o tirano personagem Calegué. Cego, surdo e mudo. Condição imperativa, que em desprezo ao velho se cumpre, com toda indiferença a quem resiste viver num mundo de novidades. Mas Hominídeo! O que tanto ambiciona? Um reino, papai. Mas, antes não é preciso que velho volte a ser criança? Então qual o motivo, geração infanticida e estúpida, por qual motivo prostitui suas crianças e assassina vivos todos os teus velhos? Que não se engane: até mesmo o que discute como liberdade sexual, em mediocridade, não passa de pornô chanchada. Ó geração analgésica, anfetamínica e lisérgica! A ti tudo é sabido, se o que já vivido tão rejeitado. “Vovó, mas que crendice sem propósitos!”. Juvenil, juvenil, infante mentecapto, sabei ao menos que andai adorando um deus que é seco, um deus cacto? Teu pão? Anda sendo servido num corpinho retrôsintetizado. Mas, é mesmo você que em enfermidade segue ao vento e, alucinado, exorta um cosmo raso, oblíquo e mentiroso, mas que certamente festejado por convivas da tua tolice alucinógena. Mas, chegado até aqui, não poderei te poupar. Se é isso o que me cabe. A dor que sente. Essa. Essa é real. Mas não... Não fique atônito; No que logo clareio: Diferente do que compreende, ó infante iludido do onírico, nesse mundo, essa dor não pode ser compartilhada, como te é de costume. Substitui-la por estímulos? Não, ela está em ti. Tampouco some, como te aludiu o de jaleco branco, na mais terrível ilusão do teu monstro farmacêutico. E, por mais que tente e queiras - o que é humanamente compreensível –, não pode ludibriar um aprendizado, essa dor é velha. E é somente por isso que insisto e repito: Dói, e não some. Mas o que fazer, se foi incumbido a esse, que toma por decrépito e sacal, o pesado fardo que é orientar-te? Sendo assim, que ao menos por um momento ouça: Essa dor pode ser relativizada em convívios, harmonizar em amor e, por fim, vencer toda inconsciência em perdão; Pois é essa, que não há outra, toda dor da humanidade. E segue o velho, nesse mundo caduco, guardando toda sabedoria dos dias.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave