Piaf, passado e presente

iG Minas Gerais | Priscila Brito |

Musical - Espetáculo faz homenagem ao centenário de Édith Piaf reconstituindo seu início de carreira e auge
Alain Biguet/divulgação
Musical - Espetáculo faz homenagem ao centenário de Édith Piaf reconstituindo seu início de carreira e auge

“Je m’en fous du passé!” (Não me importo com o passado!), cantou Édith Piaf (1915- 1963) em “Non, Je ne Regrette Rien”, uma de suas interpretações mais marcantes. Pois, no ano em que se celebra o centenário do ícone da canção francesa, o passado da cantora importa, sim, e virou musical. Com produção e elenco inteiramente franceses, “Piaf! O Show” faz turnê mundial neste ano e chega a Belo Horizonte na próxima sexta-feira (13), no Palácio das Artes. O espetáculo integra a comemoração oficial do centésimo aniversário do nascimento da diva da canção, cujo evento será realizado em dezembro deste ano em Paris.

Mais que rememorar o passado glorioso, ainda que dramático, de Piaf, a montagem em dois atos que recuperam o repertório de sucessos da cantora quer fazer as novas gerações também se importarem com este passado. “Piaf foi muito famosa na França, mas os jovens estão perdendo essas raízes. Com esse musical, queremos manter o contato com as gerações mais nova e preservar o espírito de Piaf no mundo e também na França”, confessa o produtor do espetáculo, Gil Marsalla.   Coincidentemente, é uma jovem que assume a tarefa de personificar Piaf. Um ponto fora da curva da geração mais nova que não se rendeu à obra da diva, a atriz e cantora Anne Carrere, 30, interpreta no palco uma velha conhecida.    “Piaf é parte da minha vida. Quando eu era pequena, ouvia as músicas dela com a minha avó. Sempre fui influenciada por sua voz particular e poderosa”, enfatiza Carrere, em entrevista, por telefone, de Paris.   Apesar da intimidade com a obra da cantora, ela mantém-se distante da diva em seu pedestal e faz questão de repetir mais de uma vez a mesma coisa: “Eu não quero imitá-la. Esta é a minha voz. Sou uma atriz e, depois disso, uma cantora”, reforça.   Se no canto Anne optou por não forçar uma verossimilhança, na construção da personalidade de palco da homenageada ela preferiu se amparar em fontes históricas.   Para entender um pouco mais do universo de Piaf, teve encontros com Germaine Ricord, amiga pessoal e cantora de apoio de Piaf no início dos anos 1960. Também serviu de inspiração a atuação de Marion Cotillard em “Piaf – Um Hino Ao Amor” (filme de 2007 vencedor do Oscar de melhor atriz e melhor maquiagem e do Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical).    De Montmartre ao oLympia Anne canta por uma hora e meia, em dois atos de 45 minutos. No primeiro, o cenário é Montmartre em plena década de 1930, quando Piaf cantava nas ruas e nos bares do famoso bairro boêmio da capital francesa para sobreviver.   A segunda parte coloca em evidência uma Piaf já aclamada, na reconstrução do célebre show no teatro Olympia, em 1961. Naquele ano, ela fez no local uma série de shows ao longo de três meses, cantou em público “Non, Je Ne Regrette Rien” pela primeira vez e fez um de seus registros ao vivo mais elogiados, “Olympia 1961”. Em surpreendente contraste com o vigor das apresentações, Piaf subiu ao palco com a saúde já abalada pela vida desregrada e cheia de dramas.   O drama, porém, não é reproduzido em “Piaf! O Show”, que concentra-se apenas no peso do canto de Piaf. “Decidimos não falar da doença (poliartrite). Sabemos que a vida dela foi difícil, mas o público quer a emoção das músicas. É um musical muito positivo”, justifica Marsalla   “Piaf! O Show” Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Dia 13 (sexta-feira), às 21h. R$ 220 (plateia 1, inteira), R$ 200 (plateia 2, inteira) e R$ 180 (plateia superior, inteira)  

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